Em meados dos anos 1980, o grande barato era ter uma caminhonete. Independentemente uma D20 ou uma F1000, convertidas em cabine dupla ou não. Isso porque, naquela época, os automóveis mais sofisticados que se poderia ter no Brasil eram os Chevrolet Opala e Caravan. Os primos Santana e Versalhes corria num degrau abaixo.

Com a abertura das importações, as picapes “cabinadas” perderam espaço para as médias japonesas como L200 e Hilux, assim como para os utilitários-esportivos como Jeep Grand Cherokee. Porém, nos últimos anos o segmento passou por mudanças. As picapes médias ganharam porte, conteúdo e refinamento de um carro de luxo. 

Deixaram de ser veículos de carga e recuperaram prestígio de outrora, graças a um perfil de consumidor que se sente bem com um trambolho de duas toneladas no cruzamento da Contorno com Amazonas, às 18h, sem a necessidade de carregar um saco de alpiste na caçamba. 

A Chevrolet S10 Midnight exemplifica bem. A versão com visual agressivo, devido ao acabamento monocromático em preto, foi pensada para quem valoriza o visual “durão” que ela emana.

Pretinho básico
Com base na versão LT 2.8 4x4, o modelo é oferecido por R$ 169.690 e tem como principal destaque seu estilo “Darth Vader”, valorizado pelo Santo Antônio semelhante ao da topo de linha High Country, que beira os R$ 200 mil.

Ela não é barata, mas poderia ser ainda mais cara. Para chegar ao preço, a Midnight a<CW-14>bre mão de conteúdos como câmera de ré, ar-condicionado digital, airbags laterais e cortinas, assim com estofamento em couro, alerta de colisão, sensor frontal de manobra e partida remota.

O que importa
Por outro lado, a versão oferece o principal atributo da S10, o bom conjunto mecânico formado pelo motor 2.8 turbodiesel de 200 cv e 51 mkgf de torque, combinado com transmissão automática de seis marchas e tração 4x4 com seletor eletrônico no console. Não é nada diferente das demais opções diesel, mas que fazem da Midnight um utilitário capacitado para enfrentar terrenos das piores condições. Depois é só bater uma ducha e sair por aí exibindo seu jeito mal-encarado de ser.

Raio-x Chevrolet S10 Midnight 2.8 4x4

O QUE É?
Picape média, quatro portas e cinco lugares.

ONDE É FEITO?
Fabricado na unidade São Caetano do Sul (SP).

QUANTO CUSTA?
R$ 169.690

COM QUEM CONCORRE?
Entre as concorrentes da S10 Midnight estão modelos turbodiesel com tração 4x4 como Ford Ranger XLT 3.2 (R$ 173.990), Mitsubishi L200 Triton HPE-S 2.4 (R$ 177.990), Nissan Frontier LE 2.3 (R$ 171.390), Toyota Hilux SR 2.8 (R$ 160.490) e VW Amarok Highline 2.0 (R$ 173.990).

NO DIA A DIA
O pacote visual não tem nenhuma função que vá além da satisfação pessoal. A versão oferece pacote de conteúdos presentes em modelos compactos como ar-condicionado analógico, trio elétrico (vidros, travas e retrovisores elétricos), computador de bordo, central MyLink (telefonia, aplicativos, USB e conexões Apple CarPlay e Android Auto), além de sensor crepuscular. São itens que podem ser encontrados no Onix, mas ofertam boa comodidade. No entanto, a falta da câmera de ré é inconcebível. 

No uso cotidiano, seus 5,36 metros comprometem o deslocamento e a oferta de vagas de estacionamento. Ao contrário das versões mais sofisticadas, ele não conta com sensor frontal, o que demanda mais atenção nas manobras. 

MOTOR E TRANSMISSÃO
A unidade 2.8 de 200 cv e 51 mkgf de torque é a cereja do bolo da S10. O motor oferece todo seu torque a baixos 2.000 rpm, o que faz dela um carro extremamente robusto. Já a caixa automática de seis marchas tem relações que privilegiam o torque em marchas curtas e relação longa em sexta para velocidades de cruzeiro em baixa rotação. Com o seletor de tração posicionado no modo 4x4 reduzido, a S10 vence com facilidade terrenos acidentados e ladeiras íngremes.

COMO BEBE?
A média de consumo no percurso urbano, rodoviário e fora de estrada foi de 9 km/l. No entanto, vale lembrar que, na maioria do trajeto, a tração estava ajustada para 4x2.

SUSPENSÃO E FREIOS
A suspensão segue o padrão de qualquer utilitário com caçamba para carga, muito dura na traseira, que reflete no conforto de quem viaja principalmente no banco traseiro. Já os freios carecem atenção. Mesmo com suporte do ABS, o peso do veículo dificulta a frenagem, que demanda muito espaço para chegar à imobilidade. A versão conta com ESP e assistente de partida em rampa.

PONTOS POSITIVOS
Consumo
Conjunto mecânico

PONTOS NEGATIVOS
Visibilidade traseira 
Falta câmera traseira