SÃO PAULO - O Google anunciou que todos os seus serviços foram retirados do ar na China desde sexta (9), um dia depois do início do Congresso do Partido Comunista, que definirá a cúpula governante do país.


Segundo a empresa, foi registrada uma forte redução do tráfego em todos os sites controlados pelo Google, como YouTube, Gmail e Blogger. O incidente foi incluído em sua atualização de problemas.

As causas ainda são desconhecidas para o Google, que se refere à interrupção como um problema técnico. A suspeita da empresa é de um bloqueio ou ataque de hackers. `Nós verificamos e não há nada de errado nos nossos servidores'', disse a porta-voz do Google, Christine Chen.


Para o site GreatFire, que compila informação sobre a internet chinesa, a paralisação dos produtos do Google foi feita pelo governo. `A maior questão é se vão desbloquear os serviços após o fim do Congresso''.


O grupo diz que nunca tantas pessoas foram afetadas pelo suposto bloqueio, sem dar números.

Caso seja confirmada a intervenção de Pequim, será mais uma das tentativas do regime comunista de limitar o acesso aos sites à população local, em especial dos dissidentes políticos, durante o Congresso do Partido Comunista, que termina na quarta.


Outras medidas para assegurar o fechamento da decisão do PC chinês foram tomadas, como substituir livros supostamente contrários ao governo em livrarias até a proibição de balões em Pequim para não levar mensagens de protesto.


A velocidade da internet foi reduzida e diminuiu a quantidade de depoimentos contrários ao encontro, mas não os impediram, como as sátiras feitas em algumas redes sociais.


A relação do Google com os chineses é complicada. O site de vídeos YouTube está bloqueado no país desde 2009, enquanto o Gmail foi interrompido parcialmente em diversas ocasiões nos últimos anos, incluindo nos protestos da Primavera Árabe.