Agentes da Polícia Civil estão à procura do ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB), com o objetivo de executar a prisão imediata do tucano. O mandado foi expedido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), às 16h40 desta terça-feira (22), após os desembargadores rejeitarem, por unanimidade, o último recurso apresentado pela defesa.

De acordo com a Polícia Civil, os agentes vão procurá-lo nos endereços onde ele possa estar, mas há também a possibilidade de o tucano se entregar em qualquer delegacia da cidade. No fim da noite, o delegado Aloísio Fagundes disse na delegacia de plantão da rua Carangola, na região Centro-Sul da capital, que a expectativa era que Eduardo Azeredo se entregasse ainda nesta terça-feira no local. De acordo com Fagundes, as negociações com os advogados do ex-governador estão adiantadas. 

Mesmo assim, equipes da Polícia Civil estão de prontidão em frente ao prédio onde Azeredo mora, no bairro Serra, na região Centro-Sul de BH, mas o porteiro informou que não viu nenhuma movimentação no apartamento. Testemunhas informaram que logo após a decisão durante a tarde, um veículo onde supostamente estaria Azeredo foi visto deixando o prédio às pressas. O andar onde o político mora, o 11º, também está com todas as luzes apagadas.

Logo após a condenação, Azeredo revelou com exclusividade ao Hoje em Dia que ainda acredita em uma reviravolta no caso, no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). "Estou aguardando os advogados. Vou me reunir com os advogados, e vamos trabalhar, já que ainda temos mais um recurso, em Brasília, no STJ", disse o ex-governador.

Caso seja encontrado ou se entregue, Azeredo será encaminhado para alguma delegacia da capital, onde passará a noite até a determinação da penitenciária onde a pena será cumprida.

O julgamento 

Os cinco desembargadores que participaram do julgamento em segunda instância se posicionaram contra o recurso e decidiram manter a condenação a 20 anos e 1 mês de prisão. Azeredo é julgado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, no processo do mensalão tucano.  Os magistrados determinaram ainda emissão imediata de mandado de prisão contra o tucano.

Este foi o último recurso com efeito suspensivo possível de ser apresentado pela defesa de Eduardo Azeredo na segunda instância, na Justiça de Minas Gerais. Ainda cabe, por parte da defesa, um recurso chamado "embargos de declaração de embargos de declaração", que, todavia, não tem a prerrogativa de mudar nenhuma das decisões tomadas pela Corte.

Segundo a sentença de Azeredo em primeira instância, o início do cumprimento da pena deve ocorrer esgotada a possibilidade de recursos na Justiça do Estado. O ex-governador completa 70 anos em setembro. Nessa idade está prevista a prescrição da pena, que leva em consideração datas como a da apresentação da denúncia. A condenação de Azeredo a 20 anos e um mês de cadeia é por peculato e lavagem de dinheiro.

O tucano foi condenado em segunda instância em agosto do ano passado. A condenação em primeira instância foi em 2015.

O caso 

Segundo denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Azeredo foi um dos principais articuladores do esquema, que, ainda conforme a promotoria, funcionava retirando recursos de estatais como o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), e os repassava para a campanha pela reeleição de Azeredo, em 1998. Na disputa, o tucano foi derrotado por Itamar Franco. O esquema, segundo o MP, utilizava agências de publicidade de Marcos Valério para a movimentação dos recursos.

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