Mesmo após a 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negar o último recurso em 2ª instância apresentado pela defesa, na tarde desta terça-feira (22), o ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) mantém a esperança de reverter a condenação dos 20 anos e um mês de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro no mensalão tucano. 

Com exclusividade ao Hoje em Dia, Azeredo, que demonstrava serenidade, mesmo após os desembargadores determinarem sua prisão imediata, revelou que ainda acredita em uma reviravolta no caso, no Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

"Estou aguardando os advogados. Vou me reunir com os advogados, e vamos trabalhar, já que ainda temos mais um recurso, em Brasília, no STJ", disse o ex-governador.

O julgamento 

Os cinco desembargadores que participaram do julgamento em segunda instância se posicionaram contra o recurso e decidiram manter a condenação a 20 anos e 1 mês de prisão. Azeredo é julgado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, no processo do mensalão tucano.  Os magistrados determinaram ainda emissão imediata de mandado de prisão contra o tucano.

Este foi o último recurso com efeito suspensivo possível de ser apresentado pela defesa de Eduardo Azeredo na segunda instância, na Justiça de Minas Gerais. Ainda cabe, por parte da defesa, um recurso chamado "embargos de declaração de embargos de declaração", que, todavia, não tem a prerrogativa de mudar nenhuma das decisões tomadas pela Corte.

Segundo a sentença de Azeredo em primeira instância, o início do cumprimento da pena deve ocorrer esgotada a possibilidade de recursos na Justiça do Estado. O ex-governador completa 70 anos em setembro. Nessa idade está prevista a prescrição da pena, que leva em consideração datas como a da apresentação da denúncia. A condenação de Azeredo a 20 anos e um mês de cadeia é por peculato e lavagem de dinheiro.

O tucano foi condenado em segunda instância em agosto do ano passado. A condenação em primeira instância foi em 2015.

O caso 

Segundo denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Azeredo foi um dos principais articuladores do esquema, que, ainda conforme a promotoria, funcionava retirando recursos de estatais como o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), e os repassava para a campanha pela reeleição de Azeredo, em 1998. Na disputa, o tucano foi derrotado por Itamar Franco. O esquema, segundo o MP, utilizava agências de publicidade de Marcos Valério para a movimentação dos recursos.

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