Com pena prevista em 118 anos de reclusão pelos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, contravenção criminosa, peculato, fraude da administração pública e, ainda, corrupção ativa e passiva, o vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Wellington Gonçalves Magalhães (PSDC) permanece foragido da polícia. Um helicóptero da PC está fazendo as buscas na capital e Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) para encontrar o parlamentar e um assessor.

No seu quarto mandato como vereador, ele tem um patrimônio calculado em R$ 4,6 milhões, com mansões, veículos importados e gastos que não podem ser explicados pela única renda que recebe, o salário na CMBH, que é de cerca de R$ 10 mil. Apenas a mansão na Pampulha está orçada em R$ 2,9 milhões. Há, também, muitos veículos importados, como um HRV e uma Land Rover, entre outros. As mensalidades das escolas das filhas também chamam atenção, custam R$ 10 mil.

O assessor de confiança do parlamentar, Rodrigo Dutra de Oliveira, também não foi encontrado para o cumprimento de mandado de prisão preventiva contra ele. Na manhã desta quarta-feira (18), o MPE e a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) conseguiram cumprir seis dos oito mandados de prisão preventiva expedidos pela 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte na operação. Foram realizados, também, seis procedimentos de busca e apreensão e os bens de todos os denunciados foram bloqueados pela Justiça.

Prisões efetuadas

Foram presos, na manhã desta quarta-feira, a mulher do vereador, Kelly Jaqueline Maciel Magalhães, o casal de publicitários e proprietários da MC.Com, Marcus Vinícius Ribeiro e Christiane de Castor Melo Cabral Ribeiro; os responsáveis pela agência Santo de Casa, Paulo Victor Damasceno Ribeiro e Frederico Ribeiro Guedes e, ainda, o ex-superintendente de Comunicação da CMBH, Márcio Fagundes.

Segundo o promotor de Justiça, Leonardo Duque Barbabela, a ação desta quarta – “Sordidum Publicae” – que quer dizer “estado sujo” teve como base dois processos judiciais da ação anterior, "Santo de Casa", deflagrada em dezembro de 2016, para investigar fraudes em licitações na CMBH. No primeiro, o vereador e a sua mulher são denunciados por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Wellington Magalhães e os demais acusados estão juntos no segundo, por lavagem de dinheiro, contravenção criminosa, peculato, fraude da administração pública, corrupção ativa e passiva.

“Das já  20 pessoas indiciadas, a Justiça determinou a prisão preventiva de oito porque há fortes indícios de autoria e materialidade, tentativa de obstruir a aplicação da lei e prejudicar o bom andamento da instrução judicial, prejuízo para a ordem pública, práticas criminosas reiteradas. Essa prisão não tem prazo, ou seja, eles ficarão presos por tempo indeterminado, como acontece com alguns dos envolvidos Operação 'Lava Jato', como Antônio Palocci e Marcelo Odebrecht”, ressaltou o promotor.

Defesa

A defesa do casal de publicitários informou que provará a inocência da dupla e criticou a prisão preventiva. Segundo o advogado José dos Passos, não havia motivos para privar da liberdade os clientes, já que o processo tem mais de um ano. No entendimento dele, não haviam nos autos elementos, como ameaça e fuga, que justificassem a prisão. 

“O inquérito tem mais de um ano, já houve a denúncia. Não tem nenhum fato novo. Por que não houve a prisão antes? Não há elementos para isso”, afirmou Passos. Ele ainda disse que entrará com recurso junto ao Tribunal de Justiça nesta quinta.

Por meio de nota, o advogado Thiago Lenoir, que representa Marcio Fagundes, classificou a prisão como “desproporcional e desarrazoada”, uma vez que o cliente, conforme Lenoir, sempre contribuiu para as investigações quando demandado. Ele também analisa a possibilidade de um recurso. 

Os advogados de Wellington Magalhães e sua esposa, bem como dos assessores, não foram encontrados para comentar a ação judicial. O Hoje em Dia também não obteve êxito nas tentativas de um posicionamento pelo gabinete do vereador. 


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