O medo de ficar sem água ainda preocupa 40% dos micro e pequenos empresários mineiros, segundo pesquisa realizada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), realizada em 2017. O levantamento aponta também que 17% das organizações ficaram desabastecidas entre 2015 e 2016, quando o Estado foi impactado por uma forte crise hídrica. Deste montante, 54% adotaram medidas para reduzir o consumo de água. 
A analista do Sebrae Minas Júlia Padovezi explica que, independentemente do porte da organização, os gestores devem permanecer atentos quanto ao uso racional desse recurso natural que, no momento, está abundante. 

“Não são só as grandes empresas que devem adotar ações de economia de água. As micro e pequenas também podem criar mecanismos para que o recurso seja melhor aproveitado. Além de gerar economia de custos, esse é um diferencial competitivo interessante para o consumidor”, observou.

Apesar da preocupação do empresariado, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) garante que neste momento não há motivos para medo. Mesmo com os estragos e prejuízos causados pelas chuvas, o volume 40% maior registrado entre outubro de 2017 e março deste ano, no comparativo com o mesmo período do ano anterior, encheu o Sistema Paraopeba – Serra Azul, Manso e Várzea das Flores – que responde pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). 

Com 206 milhões de m³ de água armazenada é possível abastecer a RMBH por um prazo de 14 a 15 meses, sem risco de desabastecimento para os 3,5 milhões de pessoas atendidas. 

“É preciso repensar essa ideia de abundância, como se os recursos naturais do Brasil nunca acabassem. A crise de 2015 e 2016 mostrou o contrário”, enfatizou Júlia Padovezi.

A gestão dos recursos hídricos mundiais está em discussão no 8º Fórum Mundial das Águas, que acontece em Brasília até o dia 23 de março. Com o tema “Compartilhando Água”, o evento reuniu 10 chefes de Estado, representantes da ONU e ativistas de 150 países, para debater o futuro desse recurso natural essencial para a vida e o desenvolvimento econômico das nações.
 

Casa Gastronômica em Belo Horizonte adota sistema de uso racional dos recursos naturais

De alguma ou de muitas formas, as empresas necessitam de água para funcionar. Em funcionamento há quatro anos, o Casa Gastronômica Expresso 500, localizado no bairro Alto Caiçara, região Noroeste de Belo Horizonte, já “nasceu” com a ideia de contribuir para a preservação do meio ambiente. 

A empresa dos irmãos Bruno e Igor Guimarães funciona na casa da família, onde já eram adotadas as chamadas boas práticas de uso racional da água. O uso da água da máquina de lavar roupas é um exemplo que foi mantido pelo restaurante que oferece ao público um menu que reestrutura os ingredientes da culinária mineira, com iguarias “da terra”.

Limpeza 
Mas os irmãos sabem que sempre é possível fazer mais. Segundo o chef Bruno Guimarães, o estabelecimento instalou um sistema de captação da água da chuva para uso na limpeza das instalações, na fonte e também para irrigar a horta que abastece a cozinha do restaurante. “Há certas atividades para as quais não é preciso usar a água potável. Além de reduzir os nossos custos operacionais, também contribuímos com o meio ambiente, o que acaba valorizando a nossa proposta de negócio”, comentou.

Outras iniciativas que diferenciam o Casa Gatro-nômica Expresso 500 são a captação de energia por meio de placas fotovoltaicas e o uso de um micro gerador eólico. A coleta seletiva, com separação prévia dos resíduos, também é uma prática consolidada. “O composto orgânico é destinado para a compostagem, feita aqui mesmo, para adubar a nossa horta”, destacou.