O ex-prefeito Marcio Lacerda (PSB) garantiu nesta segunda-feira (2), em depoimento na CPI da PBH Ativos, que nunca se beneficiou de contratos com empreiteiras participantes da Parcerias Político Privadas (PPPs) em suas campanhas. “Agi com absoluta correção”, disse, após mais de três horas de depoimento, na Câmara Municipal. 

Já para o presidente da CPI, vereador Gilson Reis (PCdoB), a Comissão pode demonstrar que Lacerda feriu a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Constituição. “Ficaram algumas questões não respondidas sobre a legalidade das operações financeiras”.

A reunião que começou de forma burocrática teve alguns momentos de tensão. Lacerda insistiu na tese de parcialidade, que o levou a entrar na Justiça a fim de não depor. “O presidente (da comissão) se comporta como meu adversário político”, acusou o ex-prefeito. 

“Não existe ideologia em números e a comissão é muito equilibrada com representação de todas as correntes da Câmara”, defendeu-se Gilson.

Marcio Lacerda questionou, também, a lista de pessoas convidadas a depor, questionando por que não f oram chamadas a secretária de Estado da Educação, Macaé Evaristo, e o secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Murilo Valadares. Ambos foram secretários municipais quando do primeiro mandato de Lacerda e hoje fazem parte da equipe do petista Fernando Pimentel. 

O presidente da CPI, Gilson Reis, afirmou que não vê problemas em convocá-los, bem como anunciou que a Comissão pretende chamar representantes da Construtora Norberto Odebrecht e seu braço administrativo, o Grupo Inova, responsável pelo Hospital do Barreiro e a construção de Umeis. 

Ao final, em torno de 70 perguntas serão enviadas ao ex-prefeito, a quem foi dado um prazo de 15 dias para respondê-las. Os trabalhos da CPI encerram-se em 14 de novembro.

Leia mais:
Ex-presidente da PBH Ativos é ouvido em CPI; Lacerda não comparece e tem depoimento adiado
Justiça derruba liminar e determina volta da CPI da PBH Ativos