Brasileiros que estão na rota do furacão Irma, que deverá chegar a Miami no domingo (10), contam momentos de desespero. A imprevisibilidade da real força e possíveis estragos tem feito com que as pessoas sigam para outros destinos, enfrentando engarrafamentos e dificuldade de abastecer os veículos. Já para aqueles que decidem permanecer em suas casas, o medo tem imperado. 

O furacão atingiu Cuba com força máxima e agora segue para a Flórida. No Caribe, o fenômeno provocou a morte de pelo menos 19 pessoas. Enquanto isso, as autoridades orientam os moradores de alguns pontos do estado americano da Flórida a evacuarem suas cidades. Há chances de o vento chegar com menor intensidade mas não há uma certeza sobre isso. 

O mineiro de Contagem, Deivson Martins da Mata, de 35 anos, chegou em Deerfield Beach, distante 70 quilômetros de Miami, na última quinta-feira, a passeio. Ele conta que só soube do risco da chegada de um furacão nas redondezas quando chegou lá. “Estamos aqui com o coração na mão. A polícia orientou fechar todas as portas e janelas e na hora do furacão não sair de casa para nada. Estou em um apartamento de dois andares. Os moradores do primeiro andar já saíram porque o perigo da enchente da água é subir dois metros de altura”, conta. 

A orientação das autoridades para os que ficarem na cidade é que portas e janelas sejam fechadas com tapumes e não andar pelas ruas na hora do furacão. Além disso, moradores foram obrigados a estocar o máximo de comida possível. As prateleiras dos supermercados, inclusive, já estão praticamente vazias. Na noite deste sábado água, luz e gás serão desligados. “Seguimos todas as orientações. Agora é só esperar na graça de Deus”, afirma. 

Outra mineira, de Governador Valadares, Alexsandra Rodrigues, de 44 anos, mora em Deerfield Beach há 15 anos. Nesse período, ela já passou por outros quatro furacões mas nenhum tão intenso quanto o Irma. “É o mais perigoso que já peguei. Estamos muito apreensivos”, afirma.

Também moradora de Deerfield Beach, Renata Hentringer, vai aguardar em casa o furacão passar junto com o marido e os pais. Ela conta que a saída para outras regiões se tornou mais difícil para a família, principalmente, por causa dos cinco gatos que têm. “Pegar a estrada com cinco animais seria mais difícil. E não queríamos deixá-los sozinhos aqui em casa”, conta. Na área onde estão a evacuação não é obrigatória e sim mandatória. 

A paulistana Gláucia Lourenço, de 54 anos, mora em Miami e é uma das que não pretende sair de casa. Ela conta que estocou comida para quatro dias e tem proteções nas entradas de casa. Segundo ela, como se não bastasse a dúvida sobre o que está por vir, o esvaziamento da cidade ainda tornou o local inseguro. “Somos uma cidade fantasma. A guarda nacional já está aqui para evitar saques”, afirma. 

Os moradores, no entanto, não serão pegos de surpresa. A cidade vem se preparando desde segunda-feira. Na quarta-feira, as escolas fecharam e se transformaram em albergues para receber quem não se sente seguro em suas casas. E a população já está preparada para prestar ajuda em caso de necessidade. “Todos temos os números de emergência em mãos em caso de necessidade”, conta Gláucia. E há um mapeamento das pessoas que residem nas áreas de risco que não saíram de casa, para ser usado se houver necessidade de um resgate. 

Já a estudante de São Paulo, Talita Primo, de 29 anos, teve receio de ficar na cidade de  Deerfield Beach, onde faz curso de inglês. Ela e o namorado chegaram a trancar as janelas e portas com os tapumes e a abastecer a dispensa. Mas quinta-feira decidiram buscar abrigo em outra cidade. Seguiram pela zona rural para fugir do trânsito das rodovias, intenso por causa do grande número de pessoas saindo da cidade, mas mesmo assim ficaram 15 horas na estrada até chegarem a Pensacola. De lá, aguardam notícias sobre o percurso do furacão para decidirem para onde ir. 

Ela relata a dificuldade de encontrar hotel e gasolina no percurso. “As estradas estavam completamente paradas. Ficamos com muito medo de não conseguir sair do lugar. Um pouco antes de chegar a Orlando achamos uma cidade que tinha gasolina e abastecemos. Na estrada mesmo tentamos encontrar hotel para ficar e não achamos. Depois de um tempo conseguimos achar em Pensacola, quase perto de Alabama. E estamos aqui com um pouco de medo. Tomara que o furacão não mude a rota novamente se não vamos ter que seguir para o Alabama”, conta.  

Mineira de Caeté, a jornalista Ana Paula Franco, de 35 anos, mora há cinco anos na Flórida e está bastante assustada com a situação. “Eu estou indo para um hotel. A gente está com um toque de recolher na rua então isso é assustador porque ninguém pode sair desde às 14 horas. A situação é difícil para quem não está acostumado como eu. É meu primeiro furacão aqui”, afirma.  

furacãoPrateleiras dos supermercados já estão sendo vazias

 

Veja imagens da ventania na Flórida:

 

 

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