A chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou neste domingo (3) sua intenção de dar fim às negociações de adesão da Turquia à União Europeia (UE) e assegurou que não acredita que esse país entre, em algum dia, para o bloco europeu. 

"Está claro que a Turquia não deve se tornar um membro da União Europeia", declarou Merkel durante o debate televisionado anterior às eleições de 24 de setembro na Alemanha. 

A chanceler se mostrou disposta a "conversar" com seus sócios europeus para chegar a "uma postura comum sobre este ponto" e tentar "colocar fim às negociações de adesão". 

Essas negociações acontecem desde 2005, embora estejam há meses em ponto morto devido à evolução política da Turquia, onde os detratores do presidente Recep Tayyip Erdogan denunciam uma deriva autoritária do Estado. 

O fim das negociações só pode ser decidido de forma unânime entre os países da UE. 

Em declarações duras, a chanceler disse que não acreditava na possibilidade de que a Turquia entrasse um dia para a União Europeia. 

"Não acredito que ocorra a adesão [da Turquia à UE] e nunca pensei que isso fosse acontecer", declarou, acrescentando que a dúvida consistia em saber qual das partes seria a primeira a "fechar a porta" para as negociações. 

Com estas palavras, Merkel endureceu claramente a postura do governo alemão, após meses de tensões entre Berlim e Ancara. 

A Alemanha acusa o poder turco de deter cidadãos alemães por motivos políticos, entre eles alguns que também possuem a nacionalidade turca. 

Berlim já impôs sanções econômicas à Turquia após essas prisões, mas até agora nunca tinha pedido o fim das negociações de adesão. Uma decisão que, caso seja aprovada, significaria um ponto sem retorno nas relações com Ancara. 

A chanceler disse querer adotar uma "postura clara" com o presidente Erdogan.