Você pode emprestar dinheiro para o governo e resgatar o valor, com juros, ao final de um período pré-acordado. Ao investir no Tesouro Direto, o investidor faz o papel de um banco. Para formalizar o financiamento, ele compra papéis que dão garantia de remuneração futura. É possível entrar nesse mercado com investimentos a partir de R$ 30 e ter bons retornos. O Tesouro Direto é o mote da segunda matéria da série “Meu Bolso”.

Existem duas formas de comprar títulos públicos de renda fixa. Por meio de intermediários, que são os bancos e corretoras de valores, e no Tesouro Direto. No primeiro caso, é cobrada uma taxa de intermediação que gira em torno de 5%. O índice pode variar para mais ou para menos, dependendo do relacionamento do cliente com a instituição financeira. O valor a ser investido também reflete na taxa. Quanto maior o valor, menor o índice.

No Tesouro Direto, o acesso do investidor aos papéis não tem intermediação. Isso significa que o valor que seria utilizado para remunerar alguma instituição pode render para você mesmo. O problema é que é necessário fazer as compras por conta própria. A boa notícia é que o site onde os títulos são comercializados é didático e ajuda o investidor a tomar decisões sábias, conforme afirma o professor de Economia da PUC Minas Pedro Paulo Pettersen.

Orientação virtual

“Por meio da ‘orientação financeira’, disponível no site da receita, o investidor responde a algumas questões e recebe opções de títulos ideais para ele. Mesmo assim, é necessário analisar o melhor papel”, afirma o especialista.

Conforme Pettersen, os títulos são boa opção para guardar dinheiro. Com eles, o investidor pode se programar para comprar um carro, um imóvel, ou, até mesmo, guardar dinheiro para as férias.

Alguém que quer manter a aplicação por prazo de três a nove anos e tem como prioridade proteger o dinheiro da inflação, mesmo não sabendo qual será o valor ao final do investimento, pode comprar papéis com vencimento em 2024. Nesse caso, ele rende a inflação (IPCA) mais algo próximo a 6% ao ano. Esse título custa a partir de R$ 40,12 e um lote com cinquenta unidades ai por R$ 2.006,48.

Risco
A principal influência sobre a rentabilidade dos papéis é o risco. Ou seja, o tempo em que o dinheiro será investido. Nesse caso, a regra máxima do mercado prevalece: quanto mais tempo o capital fica aplicado, maior o retorno.

Férias?
“Para comprar um veículo, o investimento deve ser médio, dependendo do valor inicial. Para comprar um imóvel ele é mais longo. No caso das férias, a pessoa deve comprar títulos que remuneram no curto prazo”, diz Pettersen.

O presidente do Instituto Mineiro do Mercado de Capitais (IMMC), Paulo Ângelo Carvalho de Souza, alerta que o interessado no mercado deve ficar atento ao tempo de retirada dos títulos. E deve cumpri-lo com rigor para não perder dinheiro.
“Se a pessoa comprou um título para dez anos e quiser retirar com cinco, ela vai receber o que o mercado secundário estiver pagando naquele dia”, diz.

 

5% do valor investido é a taxa média paga pelo investidor às corretoras e bancos quando ele prefere ter auxílio para comprar os títulos