A crise econômica que assola o Brasil freou o consumo de energia e evitou um apagão em 2017. Segundo o Instituto de Desenvolvimento do Setor Energético (Ilumina), se a produção industrial estivesse a todo vapor, a carga de eletricidade seria pelo menos 10% maior do que a registrada atualmente.

Na contramão, a elevação não seria acompanhada pelo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas do Centro-Oeste e Sudeste, que em janeiro ficaram 15,5% abaixo do registrado em igual mês do ano passado.

Em 2016, o consumo de energia caiu 0,9% na comparação com 2015, que já era uma base achatada para comparação, somando 460.001 Gigawatts-hora (GWh).

Conforme informações da Resenha Mensal da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a queda foi puxada principalmente pela indústria (-2,9%). Dados do IBGE apontam que a produção industrial registrou a terceira queda anual em 2016 e encerrou o ano com recuo de 6,6% na comparação com 2015.

O diretor do Ilumina Roberto D’Araújo afirma que a queda no consumo de energia teve início em 2014, justamente quando começou a crise econômica.

De acordo com ele, se o consumo estivesse crescendo a 3,5% ao ano desde 2014, exigiria um aumento da carga de mais de 10% nesse período. “O sistema não daria conta. Os reservatórios já estão baixos”, diz. 

Para não correr risco de racionamento, conforme o especialista, o ideal é que o nível dos reservatórios fiquem entre 60% e 70%.

Seis dos 13 grandes reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste atingiram este índice: Mascarenhas de Moraes (76,49%), Marimbondo (68,14%), no Rio Grande; Três Irmãos, no Rio Paraná; Jurumim (72,92%), Chavantes (64,64%) e Capivara (69,94%).

Chuva certa

Chover no local correto também é fundamental. Os rios Grande, Paranaíba e Paranapanema desaguam no rio Paraná, que abastece Itaipu, a maior hidrelétrica do país.

Os reservatórios das regiões Centro-Oeste e Sudeste são responsáveis por gerar 70% da energia do país. Nordeste é responsável por 20%, enquanto o Sul e o Norte por 5%.

Como estamos em período úmido, que vai de outubro a abril, o especialista afirma que ainda é possível uma melhora no índice dos reservatórios.

No entanto, embora o sistema nacional de energia seja interligado, ele se preocupa especialmente com o Nordeste, que, por estar muito baixo, pode sobrecarregar as outras regiões do país. 

“Há alguns anos percebemos um declínio nas afluências do Rio São Francisco. Com a redução das chuvas, os reservatórios têm ficado vazios”, diz D’Araújo.

Atualmente, o nível dos reservatórios do Nordeste é de 17,54%, pouco mais baixo do registrado em janeiro do ano passado (17,60%).