A capacidade instalada do sistema elétrico brasileiro vai aumentar 6% em 2016, afastando, em tese, inclusive no futuro, o fantasma do racionamento. Somente neste ano, segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), projetos que somam 8.706,06 megawatts de energia sairão do papel. Eles são suficientes para abastecer o equivalente ao Estado do Paraná (4,5 milhões de consumidores). O volume que será agregado é um recorde para os últimos 18 anos e é prioritariamente formado por energia gerada a partir de fontes hídricas: 4.865,38 MW.
 
Deste total, Belo Monte, usina hidrelétrica no rio Xingu, no Pará, responde por 1.988,4 MW do que será instalado. A usina de Jirau, localizada no rio Madeira, em Rondônia, iniciará a operação de 675 MW. No rio Santo Antônio, a usina de mesmo nome vai ligar 853,3 MW em 2016.
 
Conforme ressalta o presidente do Instituto Acende, Cláudio Sales, parte desses projetos já deveria ter entrado em operação. “Devido a atraso em obras ou licenciamento, houve um acúmulo em 2016”, diz. No entanto, ele ressalta que o montante, principalmente em um cenário de recessão econômica, será suficiente para atender à demanda do presente e, possivelmente, a do futuro.
 
As térmicas respondem por 1.468 MW e as eólicas por 2.252 MW. Não há estimativa de usina fotovoltaica instalada em 2016. Este tipo de geração entra no sistema em 2018, quando serão entregues os projetos dos leilões.
 
O membro do Instituto de Estudos do Setor Energético (Ilumina) e consultor Roberto D’araújo afirma que, em situações comuns, a média histórica indica que 3 mil megawatts de potência devem ser injetados na rede todos os anos. O montante, portanto, ultrapassa, e muito, o necessário.
 
Segundo o presidente da CMU Comercializadora de Energia, Walter Fróes, a cada 1% de crescimento da economia é necessário 1% de ampliação do sistema. Apesar de o volume em 2016 ser muito maior do que o necessário para o estimado de consumo, visto que a indústria nacional atravessa um momento de dificuldade, afetando a carga, ele ressalta que a expansão do sistema é uma forma de dar segurança ao fornecimento elétrico.
 
Para os anos seguintes, porém, há uma redução da oferta garantida. O relatório da Aneel é específico em relação ao que será entregue e aos projetos que possuem algum tipo de restrição. De 2017 a 2020, 13.780 MW não têm restrições. Um volume maior, no entanto, não está garantido: 15.579,43 MW.
 
De acordo com Salles, à medida que a implantação das obras se aproxima há redução de entraves. Entre os principais problemas estão licenciamento ambiental, atraso nas obras em decorrência de imbróglios sociais, como problemas trabalhistas, e até mesmo falência de empresas, como aconteceu com a Bertin, responsável por térmicas.

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