Mesmo registrando expansão de faturamento pelo segundo mês consecutivo, a indústria mineira ainda não encontrou saída para retomada d o crescimento. O setor de vestuário foi um dos que mais amargou queda na comparação de agosto com o mesmo mês do ano anterior. O faturamento real no segmento recuou 41,6% enquanto o emprego caiu 22,8%, mais que o dobro da média geral da indústria mineira.

Os números divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) refletem o desaquecimento do comércio varejista que, por sua vez, atinge a produção industrial. Segundo lojistas do pólo de moda do Barro Preto, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, os pedidos de roupas feitos para os fabricantes já diminuíram de 20% a 30% no terceiro trimestre.

“Essa redução é muito significativa. O cliente está inseguro, pois sabe que o risco de perder o emprego está cada vez maior. Assim, como o dinheiro vai circular no comércio?”, questiona a lojista Geovana Cardoso.

Na avaliação do presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário no Estado de Minas Gerais (Sindivest/MG), Michel Aburachid, as quedas do setor também são influenciadas pelo enfraquecimento das grandes empresas brasileiras.

“O setor de uniformes industriais pesou muito na queda do segmento de vestuário porque tem a produção direcionada para companhias como a Petrobras e Vale. A diminuição de ritmo dessas empresas impactou diretamente. No entanto, a alta do dólar ajuda a tornar a produção nacional mais atraente para os revendedores”, analisa.

Expectativas

Devido ao ritmo lento registrado pela indústria ao longo de todo ano, especialistas projetam que os resultados de Minas no fim de 2015 serão piores do que as médias nacionais.

Com revisão das projeções, o faturamento industrial de Minas Gerais deve cair 13,9%. A forte queda deverá ser impulsionada, sobretudo, por veículos automotores, máquinas e equipamentos e metalurgia, setores que mais contribuem para a queda da indústria mineira.

“O emprego caiu pelo 14º mês consecutivo, sendo que a perda no acumulado do ano já é de -5,8%. Em setembro, já deveríamos ter algum tipo de pedido da indústria para as demandas do Natal. Só que isso ainda não foi feito e nos preocupa muito. O desemprego deve continuar a crescer”, explica o presidente do Comitê de Política Econômica da Fiemg, Lincoln Gonçalves Fernandes.

Indústria extrativa

No segmento extrativo mineral, mesmo com aumento das horas trabalhadas na produção (4,1%) e da utilização da capacidade instalada (0,5%) no acumulado do ano, o faturamento real recuou 4%. Na comparação de agosto com o mês imediatamente anterior, a queda chegou a 15,6%. O principal motivo é a diminuição nas exportações do minério de ferro que já chegaram a 26,5%, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Com a desaceleração do crescimento da China – principal mercado consumidor da commodity – as horas trabalhadas (-0,6%) da indústria extrativa também foram reduzidas.

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Crise afeta setor de vestuário

As vendas totais da indústria caíram 10,8% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano anterior