É justamente na velhice que as despesas costumam aumentar, principalmente com saúde, enquanto o rendimento diminui. E a falta de planejamento para viver na nova realidade, aliada à crise, acaba empurrando os idosos para a inadimplência.

A quantidade de consumidores entre 65 e 94 anos de idade inadimplentes aumentou 8,56% em agosto deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

No mesmo período, a média nacional de inadim-plência aumentou 4,86%. “Nessa faixa etária, o crescimento do número de devedores esteve acima da média em toda a série histórica”, afirma a chefe do Departamento Econômico do SPC Brasil e da CNDL, Marcela Kawauti.

Dados do IBGE mostram que, em 15 anos, a quantidade de pessoas na faixa de 65 a 94 anos passou de 5,61% para 7,90% da população brasileira. Segundo Marcela, a tendência é de que esse número cresça ao longo dos próximos anos. “Um dos motivos dessa transformação é o aumento da expectativa de vida, que chegou aos 74,9 anos em 2014”, diz.

A especialista explica que a maioria dos idosos chega à terceira idade dependendo apenas da previdência social, em razão da baixa renda e, em muitos casos, da falta de planejamento para a velhice.

“Como reflexo disso, a inadimplência entre consumidores idosos avança a taxas acima da média ao longo dos últimos anos”, explica a economista.

Aos 69 anos, Maria Dolores Nolasco conta apenas com a aposentadoria de um salário mínimo para sobreviver. “Tem mês que o salário não dá para pagar todas as contas. Está tudo caro. Fruta e carne viraram artigo de luxo”, diz ela, que ainda paga R$ 300 por mês por um empréstimo que fez no banco. “A sorte é que não pago aluguel”, conta.

O SPC Brasil estima um total de 4,3 milhões de idosos com o nome registrado em serviços de proteção ao crédito, o que equivale a 27% da população nesta faixa de idade.

Em relação ao número total de dívidas em atraso, segundo o levantamento do SPC Brasil, o mês de agosto registrou uma variação de 6,28%, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Já entre os idosos, o crescimento foi bem mais expressivo: 10,6% – a maior variação desde janeiro de 2013.