Em depoimento à Polícia Federal, o senador Edison Lobão (PMDB-MA) afirmou que "jamais" viu o lobista Fernando Soares, o Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras.

O congressista disse ainda não se recordar de encontros fora do Ministério de Minas e Energia com o delator que acusa o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de receber US$ 5 milhões em propina de desvios da estatal.

Lobão é ex-ministro de Minas e Energia e alvo de inquérito que investiga sua suposta ligação com irregularidades na Petrobras. O senador disse que nunca pediu propina ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e que também não se lembra de reuniões fora do ministério com o lobista Julio Camargo, um dos delatores do esquema e que acusa o presidente da Câmara de cobrar propina.

Um dos trechos da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Cunha cita que Camargo pediu a Paulo Roberto Costa uma reunião com o então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, do PMDB.

A reunião teria ocorrido em 31 de agosto de 2011, na base aérea do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, segundo relata a Procuradoria com base em depoimento de Camargo, que no encontro teria relatado a Lobão as pressões que vinha sofrendo contra a atuação de sua empresa.

Nas investigações, Lobão disse que não teve contato por telefone com Camargo. "Que não se recorda se encontrou com Julio Camargo em locais diversos do ministério, acreditando que não", afirmou o senador.

Lobão admitiu que teve encontros com Camargo, que o procurou para em nome da empresa Prysmian, que tinha interesse em resolver um problema da sociedade empresarial no parte do canal de Vitória, em Vila Velha. O peemedebista, no entanto, nega ter favorecido o empresário.

O ex-ministro reconheceu ainda que manteve contato com vários dos executivos de empreiteiras investigadas no esquema e disse que não fez solicitação de doações para sua campanha ao Senado.

Cunha nega ligação com o esquema de corrupção.

NOVO INQUÉRITO

A fala ocorreu durante apuração solicitada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o suposto envolvimento do senador com uma holding nas Ilhas Cayman.

As investigações começaram em julho do ano passado na Justiça Federal de São Paulo mas, diante de uma testemunha ter citado possível envolvimento de Lobão, a juíza Fabiana Alves Rodrigues mandou o caso para o Supremo, que manteve a investigação do senador.

A suspeita é de que ele teria utilizado a Diamond para obter benefícios junto aos fundos de investimentos controlados pelo governo federal, entre eles o Postalis, dos Correios.

Uma testemunha acusa o ministro de ser uma espécie de sócio oculto da Diamond.

Ao STF, Janot pediu nova coleta de provas e perícias para decidir se vai pedir a abertura de um novo inquérito contra o senador. O senador afirma que documentos repassados aos investigadores que mostrariam sua ligação com o caso podem ter sido forjados.