As famílias conviveram, em apenas sete meses, com aumento nos preços de produtos e serviços de primeira necessidade, em um período de expectativa negativa de renda futura em virtude da trajetória de alta no desemprego. Economistas apontam para a necessidade, cada vez mais urgente, do planejamento financeiro – uma dificuldade do brasileiro mesmo em períodos de ambiente econômico favorável. Água, alimentação e energia pesam, cada vez mais, no orçamento familiar.

Nesta sexta-feira (31), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou que a tarifa de energia elétrica permanecerá com bandeira vermelha em agosto, o que significa uma conta mais cara. O acréscimo na fatura é de R$ 5,50 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

O custo mais alto da energia é mais um fator de pressão inflacionária que castiga o bolso do brasileiro. “O mais importante agora é o planejamento, porque a inflação atinge produtos e serviços muito próximos do consumidor. A tendência do segundo semestre é de ligeiro arrefecimento do índice, mas com indicador ainda em patamares elevados”, afirmou o coordenador do curso de Economia do Ibmec, Márcio Salvato.

Ele recomenda que as famílias se preparem para um cenário ruim, especialmente aquelas formadas por profissionais de baixa qualificação. “É o momento de discutir o adiamento de algumas despesas e fazer economia para se prevenir de acontecimentos negativos, como a perda do emprego”, disse.

O ajuste financeiro doméstico é imprescindível, e pagar as contas em dia vai ficar mais difícil, aponta o coordenador do curso de Economia da faculdade Newton Paiva, Leonardo Bastos. “O endividamento das famílias, sobretudo aquelas de renda mais baixa, gerado pelo estímulo ao consumo nos anos anteriores, é um complicador. Há uma enorme dificuldade de planejamento familiar no Brasil, mas isso tem que virar um hábito. É necessário estabelecer prioridades, organizar as finanças e cortar o que não for essencial”, afirmou.

Inflação

O IPCA medido pela Fundação Ipead, da UFMG, em Belo Horizonte, aponta que no primeiro semestre do ano a inflação da energia elétrica ficou em 40,12%. A água subiu 15,3% e a alimentação, 5,31%. As passagens de ônibus já subiram até agora 7,6%.

No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA da capital acumula 9,4%, de acordo com a Fundação Ipead, da UFMG

Disparada dos preços sufoca consumidores