O dólar opera em forte alta nesta sexta-feira (13), com piora no cenário político, noticiário sobre Petrobrás e protestos marcados por todo o país até domingo (15). Por volta das 13h50, a divisa subia 3,33%, negociada a R$ 3,28. Na máxima, chegou a ser cotada em R$ 3,279, em alta de 3,71%. Moeda americana atingiu nova máxima em quase 12 anos. Logo na abertura da sessão, a moeda já registrava alta de 1,84%, cotada a R$ 3,212.

No acumulado dos primeiros meses do ano, a moeda americana subiu mais de 22%. Em 12 meses, o aumento foi de mais de 37%.

Há temor de confronto entre manifestantes nos atos das centrais sindicais, organizados pela CUT e MST, a partir das 15 horas, contra a "ruptura democrática" e o impeachment da presidente Dilma, e pela garantia dos direitos trabalhistas.

Também pesa a informação de que houve um duelo muito duro entre o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na quarta-feira à noite, com o primeiro insistindo na manutenção do veto à prorrogação até 2042 dos subsídios sobre a energia elétrica para grandes empresas do Nordeste, e ameaçando até pedir demissão caso fosse derrotado.

Já sobre a Petrobrás, notícias dão conta de que a petroleira poderia adiar por mais seis meses o balanço auditado de 2014. Durante a tarde, a companhia enviou um e-mail negando a informação que circula na imprensa de que cogita adiar a divulgação do seu balanço. Todo o cenário, porém, levanta temores de um possível rebaixamento do rating soberano do Brasil pelas agências de classificação de risco.

Além disso, o clima no exterior é negativo, o que contribuiu para acentuar o mau humor no Brasil. No exterior, o avanço da moeda se deu em meio à demanda de investidores antes da reunião do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) na semana que vem, em que se decidirá sobre o aumento da taxa básica de juros da economia americana. Pesa também a divulgação de indicadores econômicos abaixo do esperado. Na Europa, as ações também operam no vermelho, afetadas por preocupações em relação à Grécia.

Na quinta-feira, 12, o dólar fechou em alta de quase 1%, cotado a R$ 3,154. Após abrir em baixa, a moeda subiu no fim do dia com o noticiário sobre a Petrobrás e temores de que a inflação demore ainda mais tempo para ceder. Em ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central elevou a projeção para a inflação em 2015 e considerou que a alta de preços deve desacelerar apenas a partir de 2016.

Bovespa

Com as ações da Petrobrás pesando nos mercados, a BM&FBovespa vive mais um dia de queda. Às 13h50, o Ibovespa - principal índice do mercado acionário brasileiro - recuava 1,52%, cotado em 48.107 pontos. No horário, as ações PN da Petrobrás desvalorizavam-se 2,59% e as ON, 1,93%.