Cinco escolas de samba chegam nesta quarta-feira à apuração das notas dos jurados com chances reais de vitória. Ninguém há de clamar por justiça se Beija-Flor, Salgueiro, Imperatriz, Unidos da Tijuca ou Portela saírem da Apoteose com o título de 2015. Mas os motivos do favoritismo de cada uma diferem. Turbinada por uma fortuna da ditadura da Guiné Equatorial, obscuro país da África Ocidental (fala-se em R$ 10 milhões), a Beija-Flor mostrou a habitual opulência, com carros alegóricos impressionantes pelas dimensões e perfeição. A gigante de Nilópolis chegou com vontade de ganhar ao sambódromo, por causa da sétima colocação de 2014, e deu o costumeiro show de competência.

Ao falar de Minas Gerais, o Salgueiro, que conta com Renato Lage (em parceria com a mulher, Marcia Lage), o melhor carnavalesco da atualidade, também se destacou pela plástica impecável. Teve luxo e criatividade.

A Imperatriz, que falou da África e ainda desfilou imediatamente depois da Beija-Flor, conseguiu dar novas cores a animais, à vegetação e a rituais tribais. Desacreditada, a atual campeã, a Unidos da Tijuca, provou que tem fôlego sem Paulo Barros, o carnavalesco que lhe deu o troféu de 2014 e mais dois (2010 e 2012). A escola, falando da Suíça e de Clovis Bornay, foi inventiva e teve humor, ao usar personagens pop, como os do filme "A fantástica fábrica de chocolate" (talvez um legado de Barros) e fazer nevar na Sapucaí.

A Portela foi a responsável pela maior emoção do ano, com um desfile embalado pelo samba mais popular e precedido por paraquedistas lançados no meio da avenida.