A elevada ociosidade e as incertezas quanto ao ambiente econômico reduziram a intenção de investimentos dos industriais mineiros para 64% em 2015, o menor patamar desde 2010. Embora os ajustes anunciados para a economia tenham agradado a uma grande parcela do setor, há um preço a se pagar no curto prazo, que é agravado pelo cenário atual de crescimento baixo, ou mesmo de estagnação.

As informações são de pesquisa publicada na última terça-feira (10) pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que também revela uma preocupação maior com os problemas da porta da fábrica para dentro.

“A indústria está olhando para dentro, pensando em produtividade e competitividade”, disse a economista da Fiemg Annelise Rodrigues Fonseca sobre o aumento do investimento em novos produtos. Em 2014, a pesquisa apontou que 8% dos industriais previam aportes nessa área, percentual que saltou para 23,3% este ano.

A “melhoria do processo produtivo atual” se mantém desde 2014 como o principal alvo dos desembolsos, apesar de ter perdido fôlego – de 40% dos investimentos para 34,9% este ano. Os olhos da indústria também estão focados no mercado doméstico. De 2014 para 2015 a intenção de investir “somente no mercado interno saiu de 30,6% para 46,7%, de acordo com o levantamento.

Com a economia nacional andando de lado, a pesquisa captou que houve redução na intenção de se investir em aumento de capacidade instalada de produção. Esse segmento deixou de ser o destino de 28% dos investimentos em 2014 para chegar a 18,6% em 2015. A capacidade produtiva está adequada ou mais que adequada na opinião de 85%. “Isso quer dizer que caso ocorra um aumento na demanda no curto prazo, as empresas conseguirão atender, o que é um fator restritivo aos investimentos”, diz a pesquisa.

Annelise Fonseca avalia que este ano será uma espécie de termômetro dos industriais para a tomada de decisão sobre investimentos futuros. “Se os ajustes na economia forem bem sucedidos, já em 2016 pode ser que melhore os dados da pesquisa”, disse.

O coordenador do curso de economia da faculdade Ibmec, Márcio Salvato, avalia que o vácuo de investimentos em 2015 é o preço que se paga no curto prazo para os ajustes na economia já anunciados, restritivos ao crescimento, como aumento da taxa de juros.

“A indústria retraiu nos últimos anos e, com o ambiente ruim, investir não é a saída. Os ajustes podem trazer melhorias para a economia no longo prazo, mas no curto, com o cenário atual, não dá pra investir”, disse.

Salvato projeta o retorno dos investimentos, já de forma maciça, apenas em 2017. “Esse ano será de ajuste, e 2016 podemos ter o início de um retorno da demanda mais aquecida. Poderá gerar investimentos em 2017, apenas”, afirmou.

O principal mercado alvo para os investimentos realizados em 2015 é o doméstico, com 66,7%, na soma das intenções em “principalmente doméstico e “somente doméstico” (em 2014 era 69,5%). Os investimentos previstos somente para o mercado interno (46,7%) tiveram o maior percentual desde o início da pesquisa.

Firjan defende mudança de feriados contra perda de R$ 6,3 bi

Os 12 feriados nacionais previstos para este ano deixarão um rombo de R$ 6,362 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, ou 4,4% do PIB industrial do Estado. No Brasil, a perda estimada é de R$ 64,5 bilhões, ou 4,7% do PIB.

Os dados são de pesquisa divulgada na última terça-feira (10) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que defende o fim dos “feriados prolongados” e a remarcação dessas datas comemorativas em nome do dinamismo e do crescimento da economia.

Calcula-se como perda o aumento de custos da indústria com seus trabalhadores em feriados, como horas-extras, explicou o especialista em desenvolvimento econômico do Sistema Firjan, William Figueiredo.

“A sociedade entende que o feriado é um direito adquirido, mas não é. É uma lei que pode ser mudada e a Firjan apoia, para que a economia ganhe em dinamismo. Há no Congresso a proposta de trazer para segunda-feira os feriados do meio de semana, para impedir a ‘ponte’ entre eles, que prolonga a paralisação”, disse. A estimativa de perdas da pesquisa não considera os dias que foram “emendados” ao feriado. Além dos 12 feriados nacionais, há 40 estaduais.

Uma outra conta da Firjan estima em R$ 1 bilhão a perda de arrecadação de impostos do governo federal com cada dia de feriado.