Um dos maiores símbolos de resistência cultural negra durante o período escravista no Brasil, a roda de capoeira recebeu nesta quarta-feira (26), o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura). A prática, que mistura dança, luta e esporte, tem origem no século 17 e hoje está inserida em mais de 160 países de todos os continentes.

A premiação foi concedida durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, ocorrida em Paris. "A capoeira tem raízes africanas que devem ser cada vez mais valorizadas por nós. Agora, é um patrimônio a ser mais conhecido e praticado em todo o mundo", apontou a ministra interina da Cultura, Ana Cristina Wanzeler.

O título é dado a expressões culturais e tradições de toda parte do mundo que geralmente passam de geração a geração. Segundo a Unesco, embora procure manter uma identidade e continuidade, esse patrimônio é vulnerável porque muda constantemente, por isso a tentativa de preservá-lo.

A roda de capoeira já havia recebido o reconhecimento do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 2008. "Os compromissos assumidos pelo governo para com essa salvaguarda envolvem ações de promoção, de valorização dos mestres, seja na inserção no mercado de trabalho, seja na preservação das características identitárias da capoeira ou na formação de redes, de cooperação e de transmissão de conhecimento", disse a presidente do órgão, Jurema Machado.

Com o título, a prática cultural afro-brasileira une-se agora ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), à Arte Kusiwa- Pintura Corporal (AP), ao Frevo (PE) e ao Círio de Nazaré (PA), que também foram reconhecidas pela Unesco.