O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 vai gastar, nos próximos 12 meses, pelo menos metade do orçamento de R$ 3 bilhões nas concorrências para aquisição de produtos e serviços para o evento.

A competição atrai a indústria mineira com uma demanda que vai de materiais esportivos e uniformes a embarcações e projetos de engenharia. Além disso, 40 mil postos de trabalho terceirizado devem ser gerados.

Nessa quarta-feira (29), cerca de 70 empresários de diversos segmentos compareceram ao Projeto Forte, evento criado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) com objetivo de potencializar oportunidades de negócios para o Estado.

Como os processos de concorrência são abertos, empresas de todos os portes e localidades podem se candidatar para o fornecimento. Com isso, o volume elevado de produtos e serviços vai gerar necessidade de que as empresas ganhadoras, eventualmente, contratem empresas menores.

O diretor de Suprimento e Logística do comitê, Fernando Cotrim, explica que 500 concorrências serão abertas nos próximos doze meses, gerando mais de 10 mil contratos com 2.500 fornecedores diretos de todo país.

“São mais de 100 mil metros quadrados de armazenagem de produtos. Serão compradas 40 mil camas, 60 mil cabides, 25 mil bolinhas de tênis e 15 mil armários, por exemplo”, enumera.

Expectativas

Para o proprietário da Acriart Comunicação Visual, Eduardo Vianna, a aproximação com o comitê olímpico pode gerar bons negócios, já que diversos itens serão necessários para sinalizar as cidades que receberão delegações e turistas.

“Nosso trabalho é a fabricação e instalação de placas, adesivos, letreiros e uma infinidade de itens para a comunicação com o público. Acredito que, mesmo indiretamente, poderemos atender a essa demanda”, avalia.

Chance

Apesar de as obras de infraestrutura terem ficado a cargo do governo federal, empresas do ramo da construção civil também compareceram ao encontro.
O supervisor de vendas da locadora de máquinas Mecan, Geraldo Sotero, comenta que “o mercado não está no melhor momento, o que faz dos Jogos Olímpicos do Rio uma chance valiosa”.

O fabricante de barcos Otto Freitas também espera receber encomendas para os mais de 300 tipos de embarcações usados na competição.

“Agora temos um canal de comunicação direto com o comitê. Já podemos ter uma dimensão do que será demandado e queremos atendê-los”, comenta.

Para o gerente de Inteligência de Mercado da Fiemg, Paulo Chagas, as empresas mineiras têm muito o que aproveitar, já que as concorrências são bancadas por recursos da iniciativa privada e não precisam seguir a mesma lei de licitações públicas.

“Acreditamos que o processo será ágil e prático, o que é muito positivo para o fornecedor. A expectativa é que a maioria das empresas tenha realmente condições de fornecer, dentro das qualificações que o comitê exige”, disse.

Recursos da iniciativa privada

De acordo com o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio, os recursos que irão cobrir todos os custos dos jogos olímpicos virão 100% da iniciativa privada.

Serão 70 patrocinadores, além dos direitos de transmissão televisiva, vendas de ingressos e também vendas de inúmeros produtos licenciados. Além disso, 70 mil pessoas irão trabalhar como voluntários no evento.