Há pouco mais de um mês, realizou-se no Centro Tecnológico da Marinha, em São Paulo, cerimônia para marcar o início do Projeto do Submarino com Propulsão Nuclear Brasileiro (Prosub). É um programa amplo, que na verdade começou bem antes, com a inauguração da primeira das quatro fábricas da Unidade Produtora de Hexafluoreto de Urânio (Usexa) e do Centro de Instrução e Adestramento Nuclear Aramar (Ciana). 
 
O Brasil já domina o ciclo do combustível nuclear, juntamente com China, Estados Unidos, França, Inglaterra e Rússia. Nesse clube seleto, nosso país é o único que ainda não fabrica bombas atômicas. O que impede que o faça é, sobretudo, a Constituição Federal de 1988. Nos últimos 24 anos, a Constituição sofreu diversas emendas, mas não existe ainda uma PEC para permitir a construção de bombas atômicas. E não será fácil aprovar tal proposta.
 
Países que dominam o poder nuclear resistem à sua propagação por outras nações, sobretudo Irã e Venezuela. A Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA), responsável pela fiscalização de artefatos nucleares no mundo inteiro, demonstra preocupação com o Brasil, desde que o então presidente Lula declarou, em entrevista, que um país que tem arma nuclear não pode exigir que outro não tenha. Essa preocupação da AEIA aumentou com a publicação de uma revolucionária tese de doutorado do físico Dalton Ellery Girão Barroso, produzida no Instituto Militar de Engenharia do Exército. A tese demonstrou que o Brasil já tem conhecimento e tecnologia para desenvolver a bomba atômica.
 
O discurso oficial é o de que o país avança nessa área com o objetivo único de empregar a tecnologia nuclear para fins pacíficos e para seu desenvolvimento econômico. Segundo a Marinha, o Submarino Nuclear Brasileiro será totalmente projetado e construído no Brasil, empregando os mesmos métodos, técnicas e processos de construção desenvolvidos pelos franceses. Mais de cem empresas brasileiras vão fabricar 36 mil itens de cada submarino. O Programa vai gerar, durante as obras de construção, 9 mil empregos diretos e outros 27 mil indiretos. 
 
Físicos brasileiros lembram que as tecnologias que possibilitam a construção de uma ogiva nuclear nem sempre têm aplicações bélicas, exemplificando com o celular, a internet, a biotecnologia de alimentos e medicamentos, entre muitos outras. Só é preciso saber usá-las de maneira sábia. Por sua importância, a questão não pode ser ignorada pelos brasileiros.