É extremamente provável que os homens sejam responsáveis por mais da metade da elevação média da temperatura da Terra, entre 0,5 a 1,3 grau centígrado (°C), registrada no período de 1951 a 2010. O alerta aos formuladores de políticas públicas se encontra no relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado ontem em Estocolmo, na Suécia.

O relatório mostra que o nível dos oceanos subiu 19 centímetros entre 1901 e 2010, e que as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso aumentaram para níveis sem precedentes nos últimos 800 mil anos, pelo menos.

Afirma ainda que há pelo menos 66% de possibilidade de a temperatura global elevar-se em pelo menos 2 °C até o fim deste século, em comparação com o início do século passado. O aumento deve ocorrer se prosseguir no ritmo atual a queima de combustíveis fósseis. No pior cenário de continuidade das emissões de gases causadores do chamado efeito estufa, o nível do mar pode subir 82 centímetros, inundando regiões costeiras.

Em 2007, o IPCC, organizado pelas Nações Unidas, divulgou estudo parecido que rendeu ao painel de especialistas o Prêmio Nobel da Paz, além de muitas críticas. Desde então, o estudo foi aprofundado. Os cientistas participantes do IPCC consideram como um fato que, entre 1880 e 2012, tenha havido aumento médio de 0,85 °C na temperatura global. E acreditam como “muito provável” que, desde 1950, houve redução de dias e noites mais frios e aumento de dias e noites mais quentes em todo o planeta.

O relatório afirma que a temperatura da superfície dos oceanos teve aumento de 0,11 °C por década, entre 1971 e 2010. Além disso, a água marinha ficou mais ácida, fator que pode prejudicar o ecossistema.

Uma das críticas feitas ao relatório anterior está relacionada com a desaceleração no aumento da temperatura global registrada entre 1998 e 2012. A temperatura subiu nesse intervalo apenas 0,05 °C, enquanto a taxa média, no período de 1951 e 2012, foi de 0,12 °C. No entanto, afirma o último relatório do IPCC, 12 anos não é um tempo suficiente para indicar que houve mudança de curso no aquecimento do planeta.

Em se tratando de uma questão complexa como essa, com inúmeras variáveis, não há como ter certeza absoluta sobre o que causa ou não mudanças climáticas prejudiciais à vida no planeta. In dubio pro terra. Cada qual – nações, empresas e pessoas – necessita, sim, fazer a sua parte.