PRETORIA - O atleta paralímpico Oscar Pistorius e sua namorada Reeva Steenkamp discutiram violentamente entre duas e três da manhã, antes que o esportista a matasse com tiros em sua casa, onde também foram encontradas substâncias dopantes, afirmou uma testemunha citada nesta quarta-feira (20) pelo promotor Gerrie Nel.

O depoimento contradiz as afirmações de Pistorius, que alega que ele e a namorada haviam passado uma noite tranquila e deitado às dez da noite. "Temos o testemunho de uma pessoa que diz que depois de ouvir tiros, correu para a janela e viu que havia luz na casa de Pistorius", afirmou o promotor. "Depois ouviu os gritos de uma mulher, duas ou três vezes, e novos disparos", completou.
"A vítima estava vestida no momento dos tiros", destacou Nel. Pistorius "atirou deliberadamente em direção ao banheiro a uma distância de 1,5 metro".

"Atirou diretamente contra o banheiro", explicou Gerrie Nel. Reeva Steenkamp estava vestida com uma calça curta branca e uma camisa preta, e coberta com uma toalha, afirmaram os socorristas.
"Quando se abre a porta, o banheiro está à esquerda.  É preciso girar um pouco e disparar no ângulo certo para atingir o banheiro", disse o detetive Hilton Botha ao apresentar a planta do local no tribunal.

Botha disse que chegou ao local às 4H15 de 14 de fevereiro, dia de São Valentim, e que Steenkamp já estava morta. Isto coincide com as declarações de Pistorius de que a namorada morreu em seus braços. Segundo o advogado de defesa, Barry Roux, Pistorius afirma ter matado a namorada por engano, ao confundi-la com um ladrão que teria invadido a casa.

"Encontrei a pessoa falecida, no chão, ao pé da escada, no térreo. Os enfermeiros da ambulância já a haviam declarado morta", afirmou Botha. Steenkamp tinha três marcas de tiro: na cabeça, acima da orelha direita, no cotovelo direito - a bala fraturou o braço - e no quadril. Também nesta quarta-feira, um polical informou que foram encontradas seringas e testosterona - substância de uso proibido em atletas - na casa de Oscar Pistorius.

"Nós encontramos duas caixas de testosterona e seringas no quarto de Pistorius", declarou um investigador."Trata-se de um remédio à base de plantas, ele pode usá-lo e já havia utilizado antes", afirmou ao juiz o advogado de Pistorius. Um porta-voz do Comitê Paralímpico Internacional, Craig Spence, disse à AFP que Pistorius fez dois exames antidoping durante os Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, e que ambos os testes tiveram resultado negativo.

Nas Paralimpíadas, o corredor Pistorius ganhou medalha de ouro na prova de 400m, de prata nos 200m e ficou em quarto lugar na prova de 100m. Pistorius, acusado pelo assassinato de Reeva Steenkamp, também foi indiciado por posse ilegal de munições, informou a polícia sul-africana. "Encontramos uma caixa de cartuchos calibre 38 especial", disse o detetive Hilton Botha. O policial explicou que Pistorius não tinha permissão para este tipo de munição.