O objetivo foi cumprido, ao menos até agora. Duas vitórias, aproveitamento perfeito e a vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo garantida com uma rodada de antecipação. Cenário ideal para uma seleção que busca sair de uma fila que dura quase três décadas, certo? Não para a Argentina.

Os resultados positivos diante de Bósnia-Herzegovina e Irã – este último no Mineirão, no sábado passado, pela contagem mínima, graças a um gol de Lionel Messi nos acréscimos – praticamente garantiram a liderança do Grupo F. Mas também dispararam o sinal de alerta para uma possível dependência ao melhor jogador do novo milênio.

“Messi é Messi. Sempre vai sair dos pés dele a jogada que nenhum outro jogador conseguiria executar. Mas isso não significa que não temos a nossa importância. Estamos evoluindo e vamos dar nosso suporte para que ele possa ser quem sempre foi”, argumenta o meia-atacante Ángel Di María.

O principal astro argentino chegou ao Brasil pressionado. Seu currículo vitorioso no Barcelona não se repetia na seleção, especialmente no principal torneio do futebol.

Ao contrário da veia de goleador que sempre apresentou no Velho Continente, Messi tinha balançado a rede apenas uma vez nas Copas da Alemanha, em 2006, e da África do Sul, em 2010.

Mas a história parece estar mudando em terras tupiniquins. Além do gol salvador marcado no Mineirão, La Pulga fez outro na estreia argentina, no Maracanã.

O problema é que o restante do time não o tem acompanhado. O outro gol marcado pelos argentinos até agora no Mundial foi contra, do lateral bósnio Kolasinac.

Um empate contra a Nigéria, na terça-feira (24), no Beira-Rio, em Porto Alegre, às 13 horas, garante o primeiro lugar do grupo.

Mas Alejandro Sabella e seus comandados sabem que a evolução tem de vir. Ter o melhor jogador do milênio a favor pode ser decisivo para que a Argentina conquiste um título que não vem desde 1986. Mas depender de apenas um jogador, por melhor que ele seja, pode representar mais uma vez o fim de um sonho.

Retranca rival e 100% servem de argumento

A retranca dos adversários e a classificação antecipada às oitavas de final são os dois argumentos usados pelos jogadores argentinos para o desempenho pouco convincente até agora na Copa do Mundo.

"Não penso que estamos jogando mal. É uma situação muito difícil quando enfrentamos adversários que têm 11 jogadores dentro da própria área com o objetivo apenas de se defender”, argumenta o meia-atacante Ángel Di María, para quem os adversários do mata-mata vão facilitar o esquema de jogo argentino.

“Nas oitavas de final, e à medida em que formos avançando, enfrentaremos equipes que também vão sair para buscar o jogo, e isto nos ajudará muito. Nós sabemos a qualidade da equipe argentina quando há espaços para explorar em campo”, diz.

Na tentativa de convencer a crítica imprensa argentina de que as coisas vão bem nos gramados, o meia-atacante lembra que sua seleção é líder isolada do Grupo F, com 6 pontos em duas partidas.

“Nosso objetivo era conseguir a classificação antecipada e ele foi alcançado com duas vitórias. Isso já nos é suficiente, ao menos por enquanto”, conclui.