O ministro da Saúde, Arthur Chioro, anunciou na última sexta-feira reajuste de 24,5% nos salários dos cubanos que trabalham no Programa Mais Médicos. Eles passam a receber em real o equivalente a 1.245 dólares por mês. Antes ganhavam o equivalente a 400 dólares no Brasil e US$ 600 em Cuba, numa conta de poupança. A partir deste mês, receberão aqui todo o salário.

Além disso, continuarão recebendo o valor que é pago pela prefeitura do município onde trabalham, para despesas de hospedagem, alimentação e transporte. Do governo cubano, do qual todos os médicos são funcionários, recebem mais US$ 50, segundo Chioro.

A despesa do governo brasileiro com os salários no Mais Médicos não vai aumentar. O Ministério da Saúde continuará pagando cerca de R$ 10.400 a cada médico, independentemente de sua nacionalidade. O salário dos médicos cubanos é pago à Opas, uma entidade ligada à Organização Mundial da Saúde, que repassa o dinheiro ao governo cubano, com desconto de 5% a título de despesas de administração.

Como o médico recebe a menor parte desse contrato de trabalho, o programa é acusado por entidades médicas brasileiras de promover “trabalho escravo”. Também o Ministério Público do Trabalho iniciou investigação, alegando que o Mais Médicos descumpre a legislação trabalhista porque os cubanos ganham menos que profissionais de outros países e não têm direitos como férias remuneradas e 13º salário.

Chioro tomou posse no Ministério da Saúde no dia 3 de fevereiro, no lugar de Alexandre Padilha, que se desincompatibilizou para disputar o governo de São Paulo pelo PT. Segundo o novo ministro, o governo cubano atendeu a um pedido da presidente Dilma Rousseff para aumentar o salário dos médicos. Com isso, eles passam a receber o equivalente à bolsa de residência médica paga a recém-formados em escolas brasileiras, que é hoje de R$ 2.976.

O reajuste salarial foi anunciado no mesmo dia em que morreu em Manaus um médico cubano que trabalhava no Mais Médicos, em Ribeira, a 350 quilômetros da capital. O médico Vladimir Hernandez, de 49 anos, começou a trabalhar ali no dia 5 de janeiro e um mês depois descobriu que sofria de câncer no estômago. Ele pediu para voltar a Cuba, mas no caminho sentiu-se mal dentro do avião, que fez um pouso de emergência na última quinta-feira em Manaus. Chegou a ser atendido num hospital, mas morreu no dia seguinte.

É a primeira baixa, por doença, entre os cerca de 7.400 médicos cubanos que trabalham no programa. Esse fato e mais a questão salarial que começa a ser corrigida e as 89 desistências já registradas, das quais 80 de médicos brasileiros e quatro cubanos, não deverão desestimular o Mais Médicos. Logo depois do Carnaval, serão reabertas inscrições para elevar a 13 mil o número de médicos no programa.