Com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente, a qualificação profissional tem se tornado um assunto em constante evidência. Um dos caminhos mais percorridos pelos candidatos que procuram incluir um diferencial no currículo, hoje, são os cursos de pós-graduação e MBA.

De acordo com a coordenadora do Núcleo de Formação Profissional da Faculdade IBS/FGV, Marina Rangel, para determinados segmentos a especialização já é considerada mais do que um valor agregado: é uma exigência para o preenchimento de vagas.

“Exemplo disso são as áreas comercial, de TI (Tecnologia da Informação) e RH (Recurso Humanos). Mas isso não quer dizer que a pessoa não tenha que buscar outros cursos. Quem estagna não acompanha o mercado de trabalho”, afirma Marina.

Uma das principais vantagens de dar prosseguimento aos estudos, segundo a coordenadora, é o direcionamento da carreira e a definição de uma linha de atuação. “A graduação é muito ampla. Nos dias de hoje, temos que ser generalistas, mas é importante nos especializarmos em uma área e é isso que esses cursos fazem: afunilam o que aprendemos e revelam o perfil dos candidatos, para onde eles querem ir”, diz.

Etapas

Para a diretora de projetos da Associação Brasileira de Recursos Humanos em Minas Gerais (ABRH-MG), Virgínia Gherard, é preciso ter cautela antes de fazer a opção por uma especialização, para não queimar etapas do processo de aprendizagem.

“Muita gente cai na armadilha da qualificação profissional sem experiência. Alguns alunos, ao apressarem a busca pela pós-graduação, pulam uma fase muito importante, que é a aquisição de conhecimentos via estágios, e só o conhecimento acadêmico pode ser uma barreira”, alerta Virgínia.

O ideal, de acordo com ela, é encontrar o ponto de equilíbrio entre as duas partes, sem priorizar demais apenas um lado. “Tem gente que faz a pós-graduação esperando um nível maior de reconhecimento nas empresas, com salários mais altos, mas, sem experiência, essa pessoa não consegue. Os cargos mais bem pagos valorizam as duas coisas”, afirma a representante da ABRH-MG.

Foco

A coordenadora de Carreiras do Ibmec Minas, Fernanda Gonçalves, lembra que, antes de mais nada, é preciso que o profissional tenha um objetivo definido para sua atuação no mercado para só então escolher um curso de especialização.

“A pós-graduação abre muitas portas para impulsionar a carreira e algumas áreas têm uma demanda maior por profissionais especializados. Mas não adianta nada fazer só porque todo mundo está fazendo”, diz Fernanda.

Segundo ela, de maneira geral, os profissionais mais qualificados são muito bem-vistos e necessários no mercado de trabalho. “O que percebemos é que ainda faltam candidatos assim, com o pilar da especialidade técnica, comportamental e fluente em outros idiomas. Em qualquer área eles são demandados”.

Curso ruim não leva à progressão na carreira

Diante do grande número de instituições de ensino que oferecem cursos de pós-graduação, os setores de Recursos Humanos (RH) das empresas adotaram novos critérios de escolha de candidatos. Vale dizer, de imediato, que um simples diploma não vale como passaporte para bons cargos e altas remunerações.

“Se for instituição renomada, séria, que aprofunda o conhecimento, com provas extremamente elaboradas, é isso que a gente busca. Mas, se for em lugar que ninguém nunca ouviu falar, o RH está de olho. Não adianta fazer por fazer”, afirma a coordenadora do Núcleo de Formação Profissional da Faculdade IBS/FGV, Marina Rangel.

De acordo com ela, o setor está cada vez mais antenado a isso, priorizando qualidade em detrimento da quantidade de cursos que aparecem nos currículos. “É importante a pessoa ter consciência disso, para não desperdiçar tempo e dinheiro”.

Preço e qualidade

A orientação da coordenadora de Carreiras do Ibmec Minas, Fernanda Gonçalves, é procurar aliar a qualidade do ensino ao preço.

“Na época dos nossos avós, havia um prazo para concluir cursos, mas, atualmente, é preciso se renovar todos os dias, buscar conhecimento para agregar valor à empresa. Quem se prepara tem mais disposição para enfrentar desafios, se sente mais preparado e tem vontade de se atualizar sempre mais”, diz Fernanda.