O “Novembro Azul” terminou, mas a prevenção ao câncer de próstata deve continuar firme para garantir a saúde masculina. “O trabalho é para conscientizar e prevenir. O objetivo não é só detecta o câncer, mas conscientizar para não ser pego de surpresa”, alerta o enfermeiro Marcus Brant, do Hospital Dilson Godinho.

Ele destaca que a prevenção não tem uma data específica: é preciso que seja diária e contínua.

Dados do Setor de Oncologia da Prefeitura de Montes Claros mostram que os registros de câncer de próstata caíram em 2020 em relação a 2019. Mas o que poderia ser uma boa notícia é mais um reflexo da pandemia. Acredita-se que os números caíram porque os homens deixaram de procurar as unidades de saúde para fazer o exame preventivo.

Foram 78 registros da doença em moradores de Montes Claros no ano passado contra 108 em 2019 – uma redução de 27%. Já entre homens de 92 cidades que Montes Claros atende, o número caiu de 408 em 2019 para 367 no ano passado – retração de 10%. 

Estes pacientes, segundo informações repassadas pelo município, tiveram que passar por tratamentos como quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia ou cirurgia.
 
CAMPANHA
No Núcleo de Saúde do Homem do Hospital Dilson Godinho, uma campanha contra o câncer de próstata é realizada há 13 anos. Voltada exclusivamente para comunidades carentes e cidades do Norte de Minas, o trabalho vai à casa de quem precisa desse tipo de atenção.

“Vamos nos municípios levar prevenção. Damos acessibilidade para a população se prevenir”, afirma o enfermeiro Marcus Brant.

Quem precisou ir a Montes Claros buscar por tratamento foi Bertoldo Antunes Quaresma, de 77 anos, morador de Pai Pedro. “Quando fui ao médico pela primeira vez, estava com 66 anos, e só fui porque estava urinando muito”, conta.

Bertoldo teve que passar por uma cirurgia e, hoje, faz um alerta para os homens acima de 40 anos. “O médico me disse que se eu tivesse procurado antes não seria necessário a operação. Ele disse que fui tarde!”, avisa. 

Para a psicóloga hospitalar Alana Gândara, a dificuldade para os homens irem ao médico é pelo fato, às vezes, de se sentirem provedores e não poderem faltar ao trabalho para ir ao médico. Mas, na maior parte, é algo mais íntimo. “Esse exame é visto pelos homens como algo que fere a sua masculinidade”, diz a psicóloga.

Porém, quando se deparam com um laudo positivo, alguns ficam deprimidos, acreditando que o problema afetará as funções sexuais. Em outros casos, aceitam, porque entendem o que é ser resiliente.

“No começo podem ter medo, angústia, mas, gradativamente, com o processo de tratamento, podem dar lugar a outro sentimento, começando a ter outro olhar sobre a vida”, afirma.

Alana tranquiliza: “o prognóstico de câncer de próstata não significa sentença de morte”. O que os homens devem entender, ressalta o enfermeiro Marcus Brant, é que o câncer de próstata é, na maioria das vezes, assintomático. Por isso, quando não se faz a prevenção pode se descobrir a doença já em estágio avançado.

SURPRESA
Mesmo fazendo o exame da próstata todos os anos, José Cosme da Silva, de 63 anos, morador de Pirapora, foi diagnosticado com o câncer. Ele desconfiou porque a urina estava presa, e foi fazer o PSA (Antígeno Prostático Específico).

“O médico fez o toque e me mandou para a biópsia, que constatou o câncer”, conta. Ele foi encaminhado para a Secretaria de Saúde de Pirapora que o encaminhou para o tratamento em Montes Claros. “Mesmo tomando a medicação e injeções vou ter que fazer radioterapia. Não vou precisar fazer a quimioterapia porque foi descoberto em tempo”, diz aliviado.