Servidores da saúde de Montes Claros protocolaram uma ação no Ministério Público pedindo verificação sobre os critérios de distribuição da vacina contra a Covid em Montes Claros. Eles questionam a des-tinação de doses para imunizar pessoas fora do grupo prioritário desta primeira fase, que são profissionais da saúde na linha de frente do combate à Covid, idosos que estejam em asilos e indígenas que vivem em aldeias. 

No primeiro dia de vacinação em Montes Claros, o prefeito Humberto Souto recebeu a dose, apesar de não fazer parte do grupo prioritário desta primeira fase. O fato ganhou repercussão nas redes sociais e na imprensa, com alegações de que o gestor de Montes Claros teria “furado a fila” da vacinação.

Nesta sexta-feira, uma nova polêmica. Imagens de servidores de áreas administrativas da saúde sendo vacinados foram divulgadas, causando indignação naqueles que estão lidando diretamente com doentes pelo novo coronavírus e que ainda não foram imunizados. A distribuição e programação da vacinação, que está a cargo da Secretaria Municipal de Saúde, não chegou a esses profissionais.

“Nós pedimos ao Ministério Público urgência e explicação sobre essa distribuição. Estamos no hospital todos os dias, cuidando de pacientes com sintomas leves, moderados e graves da doença. São, às vezes, 36 horas de contato sem descanso. Podemos ser infectados hoje e morrer amanhã, sendo que a vacina já chegou”, lamentou Michele Santos, diretora do Sind-Saúde de Minas Gerais.

Para ela, houve desorganização dos gestores, sem a realização de um planejamento adequado. Ela aponta ainda que somente agora a Secretaria de Saúde faz contato com os hospitais pedindo a lista com os nomes de quem irá receber a dose da Coronavac nessa primeira fase.

“A gente vê o descaso. Os hospitais não têm culpa, eles enviaram a lista de profissionais assim que foi pedido, mas há uma indignação de todos os profissionais quanto ao atraso. Não queremos desmerecer ninguém, mas outras pessoas estão sendo priorizadas e nós, que temos o direito, não. Ficaram de fora justamente os profissionais que ficam com os pacientes de Covid até dez dias”, complementou Michele.
 
PROMOTORIA
Em contato com o Ministério Público, nenhum dos promotores foi encontrado para falar sobre o assunto. A informação é a de que assim que as denúncias chegam, são distribuídas às promotorias correspondentes e iniciada a fiscalização. Caso comprovadas as denúncias, são abertos os procedimentos para averiguar se acarreta a prática de um crime ou ato de improbidade.

Na Secretaria de Saúde, a informação é a de que a secretária Dulce Pimenta estaria no Ministério Público e somente ela poderia dar entrevista.

Número reduzido de doses a hospitais
O Hospital Aroldo Tourinho divulgou nota informando que no dia 18 de janeiro de 2021 enviou a lista de profissionais que deveriam ser vacinados, considerando o risco de exposição ao coronavírus. A lista foi recusada pela secretaria sob alegação de que não haveria doses para todos.

Uma segunda lista foi enviada, restringindo áreas e categorias profissionais. Mas, novamente a Secretaria Municipal recusou. Uma terceira lista foi enviada neste dia 21, restringindo ainda mais o número de funcionários a serem imunizados.

No final da tarde de ontem, o Aroldo Tourinho divulgou nota informando que recebeu da Secretaria Municipal de Saúde a previsão de que serão repassadas à unidade apenas 250 doses da vacina, que serão aplicadas pela equipe da prefeitura nos dias 26 e 27 de janeiro.

Situação semelhante aconteceu no Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira, cuja lista final contempla apenas 190 profissionais, com vacinação prevista para a próxima segunda-feira (25). 

A Santa Casa de Montes Claros tem cerca de 3 mil profissionais, dos quais 800 serão vacinados a partir da semana que vem, de acordo com a Secretaria Municipal. 

No Hospital Universitário Clemente de Faria, os profissionais serão vacinados entre os dias 25 e 28 de janeiro. O número provável é de 600 doses.

A assessoria do Hospital Dílson Godinho não retornou até o fechamento da edição.