O aumento na procura por atendimento, não apenas de pacientes com Covid-19, deixa crítica a situação do pronto-socorro da Santa Casa de Montes Claros. Em função da alta demanda, 100% dos leitos estão ocupados e a unidade decidiu restringir os atendimentos a situações de urgência, emergência e referência absoluta, como é o caso de queimados. Os demais pacientes que buscam atendimento para outras situações estão sendo direcionados para outros hospitais.

Mas a situação de alta nos atendimentos não é exclusiva da Santa Casa e acende o alerta na cidade. E quando uma unidade chega à saturação, o reflexo nas demais é imediato. 

No Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira, houve um aumento do uso de leitos, com 90% de ocupação daqueles destinados ao atendimento de pacientes com Covid. A avaliação é a de que a demanda seja reflexo das festas de fim de ano. 

Mas, apesar da maior procura, a situação está considerada sob controle em função da abertura de novos leitos, diz a diretora do HC, Adriana Paculdino.

“Conforme pactuação com o município, governos estadual e federal, foram disponibilizados mais 15 leitos de suporte ventilatório. O HC é o único hospital prestador deste tipo de leito na região. E estamos em fase de negociação para abertura de leitos pediátricos na área da Covid-19”, afirma. 
 
PICO
No Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), com capacidade instalada de 20 leitos no pronto-socorro, houve um pico nesta quarta-feira, com 45 pessoas sendo atendidas, o que levou a unidade a acionar o Plano de Contingência. Mas, ainda ontem a ocupação já era menor, com 25 pessoas. De acordo com nota da assessoria, “a redução da capacidade de atendimento em qualquer dos locais de entrada do paciente impacta em toda a rede assistencial, com efeito direto pela população assistida”.

A redistribuição dos pacientes é feita pelo setor de regulação do município, que imediatamente busca a unidade com capacidade para os atendimentos específicos. 
 
MACAS
Além das pessoas que espontaneamente procuram o pronto-socorro da Santa Casa, há outros que chegam ao local por meio do Samu e do Corpo de Bombeiros. A alta demanda tem provocado a retenção de macas desses serviços, o que pode comprometer o trabalho dos grupos.

Em nota, o Cisrun/Samu informou que “devido à superlotação dos hospitais da cidade, macas do Samu acabam retidas, tornando-se leitos para os pacientes que dão entrada no pronto-socorro”.

O Samu afirma ainda que “possui um grande número de macas, para que não haja comprometimento do serviço. Porém, o número de macas recolhidas diariamente está sendo menor, o que pode causar impacto em algum momento”.

Atenção ao oxigênio
A Santa Casa sofre ainda com a falta de pontos de oxigênio no pronto-socorro, necessários para intubar pacientes. São 11 pontos e a maioria deles (8) está em uso.

De acordo com a assessoria de comunicação da unidade de saúde, a preocupação é com a possível chegada de novos pacientes, que neste caso não teriam como ser atendidos.

O HC Mário Ribeiro informou que a situação é tranquila com relação ao insumo. “Não temos essa necessidade de pontos de oxigênio, pois o sistema é canalizado. Este não é o nosso problema. O que temos vivido é um aumento expressivo no consumo de oxigênio, mas está sob controle e estamos monitorando diuturnamente de forma a não faltar. O HC investiu também numa usina de gases que temos aqui no hospital”, pontuou Adriana Paculdino. (M.V. com Leo Queiroz)