Mais de 8 milhões de pessoas morrem todo ano no mundo vítimas de doenças crônicas provocadas pelo uso do tabaco. No Brasil, a estimativa é a de que 200 mil pessoas perdem a vida, anualmente, em decorrência de cânceres causados pelo hábito de fumar. Esse quadro de alarme ganha ainda mais força em tempos de Covid-19. A pessoa fumante tem mais chances de ter a forma mais grave da doença, pois se mostra mais vulnerável à infecção pelo novo coronavírus.

Por esse motivo, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) escolheu como mote da campanha do Dia Nacional de Combate ao Fumo deste ano, celebrado neste sábado (29), o tema Tabagismo e Coronavírus. A psicóloga e representante da Divisão de Controle do Tabagismo do Inca, Vera Borges, ressaltou que as pesquisas mostram a contribuição do tabagismo para os casos de hipertensão, diabetes e cardiopatias, doenças pulmonares obstrutivas crônicas, acidentes vasculares cerebrais e câncer de pulmão. “Tudo isso se agrava no momento em que o mundo vive a pandemia da Covid-19”, alertou.

O tabagismo também é considerado uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “A epidemia global do tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano por doenças crônicas não transmissíveis relacionadas ao seu consumo, das quais cerca de 1,2 milhão ocorre em não fumantes que morrem exatamente de doenças relacionadas ao tabagismo passivo”, explicou a diretora-geral do Inca, Ana Cristina Pinho.

“Quase 80%, mais de 1 bilhão de fumantes em todo mundo, vivem em países de baixa e média renda, onde o peso da doença e mortes relacionadas ao tabaco é ainda maior”, completou.

SAÍDA PERIGOSA
Na tentativa de “amenizar” os efeitos nocivos do tabaco ou até mesmo para tentar parar de fumar, muitas pessoas recorrem ao cigarro eletrônico, acreditando na ideia que foi vendida, inicialmente, de que a fumaça do produto não causa problemas à saúde. Outro ponto apresentado por quem defende o material é que ele polui menos o meio ambiente por não haver “bitucas” descartadas, e que estragaria menos o esmalte do dente porque não teria exatamente a inalação de fumaça queimada por fogo.

No entanto, já está comprovado que o dispositivo é considerado pior do que o cigarro tradicional. “A nebulização dos cigarros eletrônicos contém nicotina de 15 a 20 vezes maior do que as dos cigarros convencionais. O cigarro eletrônico não é um dispositivo seguro, não provoca menos mal do que os demais cigarros. Ele tem o potencial de causar dependência química muito maior”, afirma Cláudio Rabello, médico oncologista e referência em tratamento de câncer no Norte de Minas.

Ele explica que, ao invés de inalar a queima do papel com a nicotina, com o cigarro eletrônico a pessoa faz a nebulização, que tem o potencial de causar dependência química muito maior que os cigarros convencionais. “São diversas substâncias químicas que também são cancerígenas. O cigarro eletrônico é proibido em 40 países, como o Japão. No Brasil não tem uma lei específica para isso: a comercialização não pode, mas o uso sim. É algo confuso, então é fácil achar na internet”, enfatiza o médico oncologista. 

O cigarro é a principal causa de câncer no mundo. Segundo o Inca, mais da metade dos cânceres atuais poderiam ser evitados com a retirada do cigarro, que possui mais de 600 substâncias cancerígenas catalogadas e contribui diretamente para os cânceres de boca, esôfago, laringe, pulmões, traqueias e, indiretamente, os de pâncreas e estômago. 
 
NO NORTE
No Hospital Dilson Godinho, em Montes Claros, que é referência no Norte de Minas para o tratamento de diversos tipos de câncer, por mês são atendidas 35 pessoas para tratamento da doença na garganta, boca, pulmão e pescoço.

“A nicotina do cigarro ainda provoca dependência, o que faz com que a pessoa tenha que recorrer ao cigarro cada vez mais, senão, fica agitada ou deprimida e causa até insônia. Ele é também um dos responsáveis pelo aumento de acidente cascular cerebral (AVC)”, pontua Rabello. 

*Com Agência Brasil