A higienização das mãos sempre foi muito importante para a saúde, de maneira geral, mas com a pandemia de Covid-19 o hábito se tornou uma das principais armas de combate à infecção por coronavírus. No entanto, o asseio constante delas e o uso periódico de álcool 70%, além das luvas descartáveis que contêm talco, vêm provocando em muitas pessoas severo ressecamento e até dermatites. Uma das formas de se evitar problemas é atentando para a hidratação das mãos, e cuidando com dedicação das mesmas.

“Detergentes e álcool retiram oleosidade da pele, deixando-a desidratada e ressecada. A pele fica áspera e, dependendo da gravidade, podem até mesmo aparecer fissuras e machucados. Além disso, podem acontecer alergias causadas por componentes presentes em alguns tipos de detergentes”, destaca a farmacêutica e pesquisadora Ana Paula Corrêa Oliveira Bahia, professora do curso de Estética das Faculdades Promove.

Algumas pessoas podem ter dermatite de contato ou piorar uma situação já existente, como no caso da dermatite atópica. “Neste período, a maior causa da dermatite de contato é a lavagem em excesso, que retira a camada de gordura natural da pele que a deixa hidratada. A dermatite atópica já é uma pele ressecada naturalmente por ter menor quantidade de lipídios, gordura para a proteger. Então, com as medidas de lavar mais as mãos, se a pessoa esquecer da hidratação, que já faz parte do seu tratamento, vamos ver uma piora do quadro”, explica a médica dermatologista Lígia Colucci.
 
FORMULAÇÃO
A hidratação feita várias vezes ao dia é importante, mas alguns compostos presentes nos produtos podem fazer ainda mais a diferença. Porém, vale ressaltar que pessoas que possuem a pele sensível ou apresentem algum tipo de dermatite devem preferir as fórmulas hipoalergênicas. 

“Os principais agentes ativos que melhoram a hidratação da pele são a ureia, glicerina, aloe vera e os silicones. Produtos mais oleosos contendo manteiga de karité ou cera de carnaúba também promovem uma boa hidratação. Em caso de aparecimento de lesões na pele, como fissuras, coceira ou qualquer outro sintoma, deve-se procurar um médico dermatologista para avaliação”, observa Ana Paula Corrêa.

A dermatologista Lígia Colucci reforça a orientação e relata a necessidade de prescrição em situações específicas. “Cremes de tratamento com substâncias anti-inflamatórias para tratar o problema criado pelo excesso de ressecamento são prescritos caso não haja melhora somente com a hidratação. E, muitas vezes, até algo oral, se o problema for muito extenso. Tenho visto casos na clínica, neste período, de ressecamentos e irritações extensas porque alguns pacientes, por medo, têm também passado álcool no corpo após um banho com escovação intensa. É importante avisar que água com sabão por pelo menos 40 segundos nas mãos já resolve o problema”.