O que os brasileiros mais temem neste momento em que a pandemia da Covid-19 avança no país é que haja um colapso do sistema de saúde ou a perda de um ente querido. A população anseia também por mais informações sobre o progresso científico na busca de uma vacina contra a doença causada pelo novo coronavírus.

Essas revelações despontam como resultados de um estudo que avalia o comportamento das pessoas e as preocupações relativas à pandemia feito em parceria pelas professoras-doutoras Júlia Lopes Silva, do Departamento de Neuropsicologia do Desenvolvimento, e Marcela Mansur, do Laboratório de Avaliação e Intervenção na Saúde, ambas do Programa de Pós-Graduação em Psicologia: Cognição e Comportamento da UFMG, com a doutora Fernanda Mata, do BehaviourWorks, na Austrália.

A coleta brasileira de dados começou no dia 13 de abril e, até o momento, as pesquisadoras dispõem de respostas de 589 participantes do país. 67,2% deles têm curso superior completo, 32,4% têm superior incompleto e 0,3%, colegial incompleto. “Pretendemos fazer uma coleta longitudinal, vamos coletar dados também em maio e junho”, conta Júlia Silva, afirmando ainda que o nível de escolaridade de quem respondeu não influenciou na adesão às medidas recomendadas.
 
HIGIENE DAS MÃOS
A grande maioria dos respondentes (81%) confirmou que está lavando as mãos ou usando álcool em gel com frequência ou bastante frequência. Esse resultado mostra que o número de brasileiros com cuidados frequentes para se proteger do vírus é semelhante ao da Austrália, país que reduziu a curva de contágio de forma significativa nas últimas semanas. A mesma pesquisa, realizada no país da Oceania, mostrou que 87% dos australianos estão lavando as mãos com frequência ou bastante frequência.

Entre os participantes do levantamento no Brasil, 46% informaram que estão muito preocupados com o colapso do sistema de saúde e 41% disseram que sua maior preocupação é com a morte de um ente querido.

“Apesar do número significativo de respondentes que seguiram as recomendações e lavam as mãos com frequência, o estudo indica que outras medidas de proteção devem ser intensificadas. Por exemplo, só metade (51%) estão lembrando de não tocar o rosto sem estar com as mãos lavadas com frequência ou bastante frequência”, conta Júlia Silva. 

A grande maioria dos que responderam (86%), revela ainda a professora, afirmaram que têm ficado em casa frequentemente ou muito frequentemente nos últimos dias a fim de reduzir o contágio pelo novo coronavírus. No entanto, Júlia Silva pondera que esse dado deve ser analisado com cautela, tendo em vista que a mostra não inclui ainda um número significativo de trabalhadores informais, sem renda fixa. Ainda assim, prossegue, até o momento, a pesquisa não revela diferença entre os que têm renda fixa e os que não têm quanto a permanecer em casa.
 
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Quem quiser participar da pesquisa pode responder ao questionário no link: https://monash.az1.qualtrics.com/jfe/form/SV_23NTI2qGvCT8v0V