O consórcio MocBus se comprometeu a garantir o cumprimento do quadro de horários dos ônibus na cidade em até 15 dias. Também vai realizar, no mesmo prazo, ajustes no sistema de venda de passagens, alvo de inúmeras reclamações dos usuários do transporte coletivo em Montes Claros. O compromisso foi feito ontem, durante audiência pública na Câmara Municipal. 

A audiência foi proposta pelo vereador Daniel Dias (PCdoB). Ele pediu a revisão do contrato para prestação do serviço na cidade. O consórcio MocBus é formado pelas empresas Alprino e Solares, que começaram a operar em Montes Claros em dezembro do ano passado.

O parlamentar cobrou transporte de qualidade com preço justo e dentro do horário – o problema também atinge o Transpecial, principalmente para quem precisa conseguir o benefício da gratuidade.

De acordo com a representante dos usuários do transporte coletivo urbano, Rita Alessandra, foram retirados veículos em vários bairros, como Panorama, São Geraldo II, Major Prates e Vila Oliveira.
“Tínhamos três linhas de lotação, agora temos duas. Retiraram a 5901 e deixaram a 5902 e a 6901, que não passam por todo bairro. Ficamos mais de duas horas esperando o ônibus e às vezes precisamos pegar dois (coletivos) para chegar até o Centro”, ressaltou a representante.

Após a apresentação da demanda, foi anunciado o retorno da linha 5901 na quarta-feira que vem. 

Antônio Carlos, do MocBus, enfatizou que 13 novos veículos foram adquiridos e que mais 32 serão comprados ainda este ano. Ainda segundo ele, a antiga frota era de 130 veículos e a da MocBus vai trazer 12 a mais, sendo que cerca de 35 lotações terão ar-condicionado.

“Muito importante essa audiência para ouvirmos a população, pois estamos em fase de ajustes para poder melhorar nosso serviço. Nosso maior pico é pela manhã, por volta das 7h, com pelo menos 3 mil usuários. Por isso mudamos o sistema de passagem (agora é eletrônica) e em breve as pessoas poderão comprar as passagens pela internet”, explicou Antônio Carlos, que se comprometeu a ajustar o serviço no máximo em 15 dias. 

Segundo passageiros, o cartão Sim Card trava com frequência e o usuário tem que tirar dinheiro do bolso para pagar, ou é obrigado a descer. O sistema também não estaria funcionando para integração.
Valdey Soares, líder comunitário do bairro Major Prates, apresentou um abaixo-assinado com 900 assinaturas dos usuários da região, que tem pelo menos 25 mil moradores. 
“É uma falta de respeito com a gente. Além de literalmente atrasar nossas vidas, corremos risco, pois tem gente que fica no ponto de ônibus tarde da noite e ainda atrasa. Aguardamos melhorias”, enfatizou Valdey. 
 
DEMISSÕES
Uma das maiores queixas dos usuários é a falta de cobradores dentro dos lotações – metade deles foram demitidos. Segundo o procurador geral do município, Otávio Rocha, o corte na folha foi necessário para não precisar aumentar a tarifa em R$0,50.
“O aumento da tarifa sempre é feito junto com o Ministério Público. A redução de cobradores foi pensando no bolso da população. Em relação às reclamações, já notificamos a empresa, que ficou de melhorar o serviço, que ainda é recente”, destacou o procurador.

Qualquer reclamação pode ser feita no ponto de atendimento localizado na praça Doutor Carlos, na MCTrans ou pelos telefones 0800 038 5151 / (38) 3218-7600.