Após uma morte confirmada por coronavírus e 806 casos suspeitos de Covid-19 notificados até as 13h de ontem, Montes Claros entrou em estado de calamidade pública e novas orientações foram divulgadas em decreto da prefeitura. Uma delas é a recomendação de que os moradores utilizem máscaras, mesmo que sejam caseiras, ao saírem às ruas da cidade.

O decreto de calamidade pública foi aprovado pelos vereadores em reunião extraordinária na e autoriza a abertura de crédito adicional extraordinário no orçamento no valor de R$ 1.181.420 para ações de enfrentamento à Covid-19. A abertura de crédito contempla apenas as despesas “imprevisíveis e urgentes”.

Em função de todo esse quadro, a secretária de Saúde, Dulce Pimenta, reforçou o pedido de isolamento social e o cumprimento dos decretos municipais, salientando que o pico da Covid-19 não foi atingido e pode ocorrer nos próximos dias.

Em entrevista na última segunda-feira, o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, disse que o pico da pandemia de Covid-19 em Minas Gerais é esperado para ocorrer entre os próximos dias 25 e 27. Segundo ele, essa avaliação é feita semanalmente pela secretaria, com base no desenrolar do quadro de contaminação pelo novo coronavírus no Estado, e, assim, essa previsão pode mudar.

“Esperamos que este recurso seja aplicado da melhor maneira e especialmente para dar condições de trabalho aos profissionais de saúde, que são verdadeiros guerreiros que estão no atendimento e não podem parar. A prevenção ainda é a melhor arma”, disse o vereador Valcir Soares (PTB).
 
DECRETO
O decreto 4.017, publicado ontem pelo município, prorroga o isolamento social e o fechamento de estabelecimentos comerciais considerados não essenciais até 21 de abril.

O procurador do município, Otávio Rocha, declarou que o uso da máscara é o ponto mais importante do decreto. “Estamos seguindo uma recomendação técnica do Ministério da Saúde para que as pessoas usem máscara ao usar o transporte público e, especialmente, quando frequentarem farmácias, supermercados, bancos e outros comércios essenciais”, disse o procurador.

A medida ainda não é obrigatória, mas já trouxe dúvidas à população. “Se se tornar o uso obrigatório, a prefeitura tem que encontrar uma maneira de custear, porque nem todos têm condição de comprar e o produto está em falta em muitos lugares”, diz Wílson Santos, proprietário de um restaurante no bairro Major Prates.

Já a autônoma Vera Nunes não vê complicação e diz que vai cumprir a recomendação. “A partir de agora eu vou usar. Se estão recomendando, eu não vejo nenhum inconveniente. Nos supermercados realmente tem muita gente e eu vou usar por precaução, para não me arrepender depois. Continuo fazendo caminhada e faço opção por um horário que não tem muita gente. Neste caso, eu dispensaria a máscara”, pontua.


Fisioterapeutas podem agendar horários
O novo decreto, no entanto, trouxe algumas flexibilizações. É o caso da autorização para lojas que vendem chocolates abrirem até o dia 13 de abril (leia na página 5), em função da Páscoa, que acontece neste domingo.

Além disso, pelo novo texto os fisioterapeutas podem voltar a atender de maneira individual e com horário agendado.

Mas há quem faça a opção por cumprir à risca o isolamento, por entender que o momento atual é o mais perigoso e crucial no enfrentamento. É o caso da fisioterapeuta Janaína Barros Vieira, que suspendeu temporariamente o atendimento por achar que embora haja a limitação de pacientes, o perigo pode estar no deslocamento.

“Os que procuram o centro de atendimento são, na maioria das vezes, pessoas que utilizam o transporte público para se deslocar. Os pacientes neurológicos e cadeirantes precisam da fisioterapia realmente, mas acho aconselhável esperar. Há casos extremos, como os da área de ortopedia, com fixador, fraturas expostas ou placas metálicas, mas muitos idosos vão para sair de casa. Neste momento, a fisioterapia que considero realmente essencial é a respiratória, que é para quem está na UTI. Fora isso, dá para aguardar”, avalia.
 
FISCALIZAÇÃO
O Comitê de Crise informou que de 23 de março até 6 de abril foram recebidas 1.654 denúncias relativas aos decretos municipais. Destas, 1.131 já foram vistoriadas. 

Nesta terça-feira foram recebidas 20 denúncias por aplicativo, 11 via telefone/WhatsApp, sete ações de orientação/fechamento de estabelecimentos comerciais e acompanhamento, orientação e organização de filas em oito agências bancárias, além de dispersão de trabalhadores ambulantes.