Os discursos ficaram manjados. “Não tem nada perdido”, ressaltou Keno, após o revés para o Vasco, no sábado. “Acredito no título, e vamos buscar até o fim”, disse Jair, nessa segunda. Comentários semelhantes infestaram entrevistas de outros jogadores do Galo. Só que as palavras não vêm se transformando em resultados suficientes para voltar a brigar pela liderança, haja vista a campanha do Atlético no Brasileirão – quarto colocado, a oito pontos do líder Inter (62) – e a grande quantidade de tropeços que se tornaram a marca do time em momentos-chave na competição.

Não à toa, Sampaoli e seus comandados vão para o duelo desta terça, às 20h, em partida adiada da 28ª rodada, sentindo ainda mais o peso da camisa preta e branca e sob um clima de muita pressão.

Dos últimos seis pontos disputados fora de casa, o Alvinegro obteve apenas um, ratificando o desempenho irregular como visitante: 37,5% de aproveitamento.

Sem contar que, durante essa trajetória, a diretoria anterior entrou em atrito com a comissão técnica, e, nos bastidores, a situação atual segue longe da “paz ideal”. 

Além disso, torcidas organizadas do Galo se movimentam para uma manifestação antes do confronto desta noite, no Gigante da Pampulha.

Superar o Santos se tornou uma obrigação. Não somente pelo fato de o adversário utilizar uma equipe reserva, já que o foco é a final da Libertadores, no sábado, ante o Palmeiras, como também para continuar a sonhar por um título que muitos acreditam ser possível, mas que parece cada vez mais distante.

Se ganhar, o Galo diminui para cinco pontos a desvantagem para o Inter, invicto há dez rodadas (oito triunfos e dois empates). Se perder ou empatar, praticamente sepulta suas já reduzidas chances de título (atualmente, elas são de 8,4%, segundo o Probabilidades no Futebol, da UFMG).

Nas sete partidas que restam ao Atlético, o torcedor vai saber se o time vai mesmo continuar mergulhado no discurso ou se voltará à luta pelo troféu.