Sabe aquela plantinha esquecida lá na horta ou no jardim de casa e que ninguém nunca deu muita importância? Ela pode ser considerada uma Panc – Plantas alimentícias não-convencionais –, com grande potencial nutritivo. Muitas delas eram usadas por nossos avós, como aroeira, picão, mostardas, taioba, mas foram esquecidas nos últimos anos.

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostra que o número de plantas consumidas pelo homem nos últimos cem anos caiu de 10 mil para apenas 170. No Brasil, apesar da riqueza e variedade de espécies encontradas na natureza, a demanda do mercado se concentra em algumas dezenas de itens, esquecendo milhares de outras espécies disponíveis.

Para reverter esse quadro, o Centro Universitário Funorte promove, neste sábado, o 1º seminário on-line “Plantas alimentícias não-convencionais: nutrindo o conhecimento”. Realizado pelo Centro de Pesquisa e pelo grupo de Pesquisa Saplam (Saúde Coletiva, Educação, Plantas medicinais e Bioativas), o evento tem como objetivo popularizar o consumo das Pancs no Norte de Minas.

A proposta é buscar integração entre os participantes de forma a congregar os profissionais do ensino, da pesquisa, assistência técnica e extensão rural, além de estudantes, agricultores, produtos rurais e instituições que tenham interesse em conhecer e discutir sobre as Pancs.  
 
DIVERSIFICAÇÃO DA DIETA
As plantas alimentícias não-convencionais, muitas vezes consideradas como ervas daninhas ou matos, podem contribuir na diversificação da dieta alimentar, pois são ricas em termos nutricionais e nutracêuticos, além de representar uma alternativa de renda para as comunidades rurais, favorecendo a economia local e regional.

Além das folhas, muitas flores podem ser comidas. É o caso, por exemplo, do hibisco, do qual pode-se consumir as pétalas e as folhas, que contêm muito ferro. Outra é a capuchinha, semelhante à flor da abóbora e da mesma família que, além de rica em vitamina C e sais minerais, apresenta propriedades diuréticas, purificantes, analgésicas, anti-glicêmicas e anti-hemorrágicas.

“A capuchinha tem aquele sabor azedinho, tipo trevinho, que é uma planta infestante, que as pessoas arrancam do vaso”, conta a professora Odara Boscolo, do Departamento de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), que desde 2013 realiza um projeto para resgatar a cultura popular do consumo de plantas alimentícias.

Odara Boscolo destacou que antes de comer qualquer planta, é recomendável que as pessoas investiguem se é a planta certa para evitar problemas de intoxicação. “Não é para sair comendo qualquer coisa”. Para tirar dúvidas sobre o que deve ou não ingerir, as pessoas podem recorrer à página do grupo de pesquisadores do Pancs no Facebook ou no Instagram (@pancsuff), onde poderão também se inteirar de receitas que podem ser preparadas com esses ingredientes.

Programação

O evento que acontece neste sábado, por meio do google meet, contará com a participação do biólogo e professor Valdely Ferreira Kinupp, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, criador do termo Panc e autor do livro “Plantas alimentícias não convencionais (Panc) no Brasil”.
 
Participa ainda o professor Candido Alves da Costa, do Instituto de Ciências Agrárias/UFMG, que vem contribuindo de forma significativa com o conhecimento e valorização das Panc no Norte de Minas, além do médico cardiologista André Luis C.S. Nobre, que irá abordar o tema “Fitoterapia e Saúde”.
 
O encerramento do seminário on-line terá uma live musical da cantora Sarah Dupim. Será gerado um cerificado de participação e as inscrições são gratuitas, podendo ser feitas pelo link: https://forms.gle/MXP2CUj7NdPwCKAf9.

*Com Agência Brasil