Empoderamento feminino e reflexões sobre a negritude é a proposta do Espaço Carí, idealizado por Janaelle Neri, que funciona na rua Irmã Beata, 360, centro, em Montes Claros. 

A ideia surgiu com a proposição de incentivar a sororidade e a geração de renda entre mulheres. 
“A marca Carí, que já tinha quatro anos e trabalhava com tecido africano, se ampliou para um espaço com serviços de saúde e beleza”, diz Janaelle que é formada em Administração e graduanda em Direito.

No espaço, inaugurado em julho do ano passado, são vendidas roupas feitas em tecido africano e produtos de empreendimentos femininos regionais. Lá também são realizadas oficinas e reuniões sobre bem-estar e negritude, além de serviços de práticas integrativas como meditação, massagem, acupuntura e serviços para cabelos crespos e cacheados.
“O desafio é ampliar o espaço, para atender à demanda proposta, com mais conforto para os clientes e se apresentar como a principal referência de um empreendimento colaborativo na cidade”, conta. 

O espaço Carí também é ponto de amamentação no centro da cidade e acolhe qualquer mãe que necessita de um lugar para alimentar o filho. “As mulheres que têm crianças, sobretudo aquelas que estão amamentando, têm um tempo maior de atendimento e as crianças são acolhidas, diz.

Para o professor Milton Chaves, o espaço é um lugar que não cuida somente do cabelo, mas onde se trabalha a identidade, onde a pessoa se sente à vontade para ser aquilo que é. “O Carí foi criado para gente que sabe o quer, que sabe do seu valor e, acima de tudo, cuida de si e do outro”, frisa.


Carí é um peixe do rio São Francisco, escuro e resistente, descartado das pescarias até a década de 90. 
É de água profunda e cortava as redes para manter-se vivo. Trata-se de analogia à resistência do povo negro