Seja para apreciadores ou o público em geral, escolher um bom vinho sem a ajuda de um profissional pode não ser das tarefas mais fáceis. E nem sempre quem quer tomar a bebida tem à disposição um sommelier, profissional especializado no assunto.

Mesmo assim, com alguns truques, é possível garantir que não está fazendo feio ao receber uma visita, ou então agradar o gosto. Para esclarecer algumas dúvidas e dar dicas preciosas, o Hoje em Dia ouviu a sommelier e produtora de vinhos Nicoletta Loreti.

Italiana, Loreti faz parte de uma família que produz vinhos na região metropolitana de Roma, capital do país, há cerca de 150 anos. Ela esteve em Belo Horizonte em visita aos alunos do curso de Gastronomia da Faculdade Promove, onde ministrou palestra sobre o tema.

Rótulo

Para a sommelier, a degustação é a forma mais eficaz de conhecer a qualidade de um vinho, e isso leva conta três sentidos: olfato, visão e paladar. Mas, antes mesmo de levar a garrafa para casa, já é possível ver se o produto tem “boas origens”. Para isso, ela recomenda analisar o rótulo.

“No supermercado, a gente pode verificar o rótulo de frente e de trás da garrafa. De maneira geral, quando o vinho é produzido e envasado no mesmo lugar, a garantia de qualidade é melhor. Pois, por mais que uma marca produza um bom vinho, ela não pode garantir a qualidade do envase, caso isso não seja feito por ela”, explicou.

Cor

Segundo Loreti, a cor é importante num vinho, pois traz informações que vão desde a idade da bebida, até se a safra foi ensolarada ou chuvosa, por exemplo. “Com a cor já sabemos se um vinho é novo ou mais maduro, mas isso é diferente para cada vinho”, conta.

Em geral, vinhos mais escuros são mais densos, com menos teor alcoólico, enquanto os mais brilhantes são mais ácidos e jovens. Apesar disso, é bom ficar atento, vinhos brancos escurecem com o tempo e vinhos tintos ficam mais claros.

Lágrimas

Um teste que pode ser feito com o vinho é girar o líquido na taça e observar as lágrimas que descem nas laterais da taça. “Se as lágrimas escorrem mais devagar, significa que o produtor fez um bom trabalho no vinhedo, na seleção das uvas”, explica Loreto.

Quanto mais um vinho produz lágrimas, ou seja, escorre mais fios de lágrima, mais álcool ele conterá. Se as lágrimas escorrem de forma lenta, a bebida é mais densa. “Lágrimas escorrem mais rápido, portanto, em vinhos de produção industrial, em larga escala”, afirma.

Aroma

O aroma é característica secundária, mas que pode indicar, principalmente para apreciadores do vinho a origem da bebida. Conforme a sommelier, o cheiro mostra de onde o vinho vem, e a uva que foi usada na fabricação.

“É importante aspirarmos devagar e lentamente o cheiro. O vinho de cada região possui um aroma específico, e por meio do aroma podemos saber, inclusive, se o produto foi maturado num barril de madeira ou de carvalho”, destacou.

Contudo, segundo Loreto, há vinhos que possuem aromas menos acentuados, o que não indica falta de qualidade, pois esta característica é muito ligada à uva e à fermentação. E no processo produtivo, outros aromas, como pimentas e ervas podem ser incorporados à bebida.

Sabor

Ao beber um vinho, ainda estamos avaliando sua qualidade. Para isso, a especialista em vinhos sugere duas coisas. Uma, beber com calma o líquido, procurando experimentar ao máximo o sabor, e depois inspirar ar pelo nariz e expirar pela boca.

“Assim, vamos avaliar a persistência do sabor. Se é longo, significa que o vinho é intenso, a persistência do sabor é muito boa. Se a persistência é curta e breve, significa que o vinho não é muito excelente, de baixa qualidade”, afirmou.

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