Games de Survival Horror nunca saem de moda, assim como filmes de terror. “The Medium” estreou no final de janeiro para PC e Xbox Series X/S, para abrir o baú do desespero na nova geração de consoles. 

O jogo conta a história de Marianne, uma jovem que tem habilidades mediúnicas. A trama se passa na Polônia, em 1999. Uma década após a queda do Muro de Berlim, a Polônia vive a mesma transição que a Alemanha. E cenários do período comunista compõem parte da ambientação do jogo.

Marianne tem constantes sonhos com a cena de uma menina sendo baleada nas margens de uma lagoa. A trama começa com a jovem visitando o apartamento de Jack, seu pai adotivo. Ela precisa buscar uma gravata para usar no funeral. 

O passeio pela casa ajuda o jogador a se aclimatar com comandos e com a lógica de jogabilidade. Vale destacar que eles trabalhavam numa funerária, o que faz com que a presença da morte seja algo constante na história. 

Os contatos mediúnicos são ativados quando ela se depara com algum elemento que a coloca em contato com o sobrenatural. Nessa hora, a tela se divide e o jogador precisa controlar a personagem nos dois ambientes, para desvendar os desafios.

Visual

O jogo tem gráficos caprichados, com um nível de detalhamento que busca explorar todo o poder de fogo do novo Xbox. A qualidade da iluminação dos cenários chega a ser espantosa, devido ao nível de realismo. 

Por outro lado, alguns elementos secundários, como carros estacionados, aparecem com uma textura menos refinada. Mas não são problemas que empobrecem o game.

Uma peculiaridade é que o game tem câmera com enquadramentos fixos, que lembram os três primeiros episódios de “Resident Evil” e o avô dos games Survival Horror, “Alone in the Dark”. 

Esse estilo potencializa a carga dramática e, de certa forma, faz uma homenagem aos clássicos do terror. O fato de não conseguir girar a câmera, torna o game extremamente angustiante, o que é ótimo. 

O jogo

O game é cheio de referências a séries de Survival Horror, como “Silent Hill” e outras produções. Inclusive, a capacidade de Marienne de perambular pelo mundo dos mortos é um elemento do clássico da Konami, assim como produções mais recentes, como “The Evil Within”. 

Outras referências surgem no decorrer da trama, como o exemplar de “1984” no banheiro do apartamento de Jack, logo no início da campanha. Recortes de jornal falando sobre política externa também ajudam a contextualizar o personagem na trama.</CW> 

Aliás, vasculhar cada cenário é uma constante do jogo. Sempre há um item para ser analisado ou coletado. Acontece que, boa parte das vezes, Marianne xereta em lugares pouco amistosos.

A tensão do game aumenta quando fenômenos sobrenaturais começam a acontecer. É nessa hora que a jiripoca pia de verdade, principalmente, quando o jogador não conta com uma calibre 12 nas mãos. 
 
Palavra final

“The Medium” é uma ode aos games de terror. A história de Marianne, assim como sua capacidade de transitar entre os mundos, é algo que mexe com o psicológico. É um game perturbador, que me fez lembrar as primeiras impressões de “The Evil Witchin”, “Outlast” e “Resident Evil 7”. 

Trata-se de um game para se jogar no escuro, com janelas fechadas e com fones de ouvido, para que o jogador não deixe de ouvir nenhum ruído desesperador. Uma dica: jogue de fraldas.