A pandemia do Covid-19 impulsionou diferentes iniciativas para manter negócios de pé, assim como ofertas de trabalho. Foram plataformas que converteram pequenos comércios em lojas online, assim como ferramentas de recrutamento que conecta profissionais para trabalhar de forma remota, garantindo remuneração sem romper com o isolamento social. Mas muitas dessas iniciativas não conseguem subir o morro. E foi aí que a aceleradora Fa.Vela decidiu ampliar as oportunidades nas comunidades.

Fundada em 2014, a aceleradora foi criada para capacitar a comunidade do Morro do Papagaio e expandiu para comunidades em estados como Pará e Espírito Santo. Agora, a entidade que já prestava assistência para grupos em situação de vulnerabilidade em mais de 25 municípios, iniciou o projeto Acode, que funcionará como uma espécie de Auxílio Emergencial, para onde o cadastro do governo federal não chega. <EM>

Trata-se de um projeto de mapeamento com foco em pessoas que foram impactadas pela pandemia como empreendedores, mulheres chefes de família, negros e LGBT QI+, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A ação prevê a distribuição de 500 auxílios pelo período de três meses, que inclui cesta básica, um cartão alimentação de R$ 250, livros infantis, assim como acesso ao programa de empreendedorismo digital da entidade. Mas para encontrar esses quinhentos selecionados, a Fa.Vela contou com cruzamento de dados e engajamento do pessoal que ela própria capacitou. 

“Contamos com a participação de jovens de cerca de 10 movimentos que foram capacitados pelo projeto da Fa.Vela. Foram eles que permitiram que a gente encontrasse essas pessoas que foram impactadas pela pandemia para dar início ao cadastramento”, explica a diretora, Tatiana Silva, que é uma das fundadoras da aceleradora e que já distribuiu cerca de 200 cestas.

Assistência

De acordo com Tatiana, apenas uma cesta não resolve o problema da família e nem da comunidade. “Conseguimos os cartões alimentação, que permitem que as pessoas possam movimentar os comércios de sua comunidade. Além disso, uma cesta não inclui tudo que uma família precisa, como itens perecíveis, leite, frutas, assim como itens de higiene. Assim, ele dá liberdade para cada beneficiado poder comprar o que precisa para sua casa”, afirma Tatina, que aponta que 40% da população de vilas e favelas foram impactadas mentalmente pela pandemia e cerca de 70% tiveram perdas com suas atividades.

Para ela, o uso do cartão também é um alento para travestis e transsexuais favelados, que são extremamente marginalizados, na própria família. “Muitos jovens LGBT são expulsos de casa, e o auxílio é vital neste momento. Além disso, o cartão vem impresso com o nome social, o que evita constrangimentos. Mas nossa meta é verificar quem são essas pessoas em condições de risco e buscar recursos para ampliar a assistência”, conta. 

Capacitação

O terceiro pilar do projeto Acode, é a oferta de capacitação dentro do programa de empreendedorismo digital, que busca aumentar o número de empreendimentos nas comunidades. Em seus quase seis anos de atuação, a aceleradora já impulsionou 500 empreendimentos e ajudou a desenvolver mais de 260 projetos de negócios. “Quando encontramos alguém com potencial para se desenvolver, apresentamos a Favela Escola. Trata-se de um programa de formação contínua, pois sabemos que não conseguimos sanar as falhas de formação de uma pessoa em apenas seis meses”, explica.

Para levar informação e conhecimento, a Fa.Vela conta com uma sala virtual na rede Telegram, com conteúdos de áudio, vídeo e texto. “Sabemos que grande parte dessas pessoas não contam com acesso permanente à internet, muitas dependem de cartões pré-pagos, que podem ser adquiridos com o auxílio”, aponta.