Princípio, meio e fim. É assim que um game se constitui. Segue um padrão utilizado desde quando começamos a falar ou contar nossas histórias nas cavernas. É assim com um livro, teatro, gibi, filme, novela ou música. E no mundo dos games não é diferente. Você começa o jogo, passa uma, duas, três fases, enfrenta o chefe, conquista o tesouro, chega aos créditos e fim. No entanto, “Dreams” propõe ser algo diferente. Um game que tem apenas o ponto de partida. Daí em diante é com você.

O game da Midia Molecule, estúdio que ficou conhecido pela simpática série “Little Big Planet”, coloca o jogador num universo de criação. O jogador tem liberdade de criar seu game, fazer música, desenhar e compartilhar tudo isso na rede de “Dreams”. 

Para que isso seja possível, o jogador pode utilizar joystick ou PS Move, que é aquele controle em forma de bastão com um bola na ponta. Com o tradicional Dualshock 4, o jogador tem duas formas de manusear o game: pelos direcionais ou pelo sensor de movimento do controle.

O sensor de movimento serve para o jogador manipular o “bichim”. É o avatar do jogador. Trata-se de uma coisinha felpuda e simpática que interage com o cenário, abre fases e serve para ser as mãos do jogador no processo de criação. Os direcionais, no entanto, servem para jogar as fases do game. 

Faça você mesmo
O modelo de compartilhamento de fases de “Dreams” tem uma lógica muito parecida com Super Mario Maker. O jogador conta com uma série de recursos para construir sua aventura e depois compartilha na comunidade do jogo. 

No entanto, “Dreams” tem uma estética muito diferente do game do bombeiro bigodudo. O jogo oferece diferentes elementos, com estilos visuais variados, que tomam emprestado formas de incontáveis escolas de estilo.

Assim, cada game criado é único, tal como as diferentes expressões artísticas do jogo. Além disso, o título oferece diferentes estilos de jogabilidade. É possível criar games 3D em terceira pessoa, ou um nostálgico jogo de plataforma 2D. O que não faltam são ferramentas para criar.

Pequenos
“Dreams” surge como um game amigável para crianças. Ele permite que os pequenos viagem em suas criações. Trata-se de um game que retira os “comerciais” elementos de violência, que nem sempre são indicados para a criançada. 

Se o amigo não se considera um grande artista plástico, compositor ou designer de games, não tem problema. Basta se divertir com os conteúdos criados pelo próprio estúdio ou pela comunidade.

Palavra final
“Dreams” é um daqueles games que fogem ao padrão convencional da indústria de jogos. Um título sofisticado, que conta com dublagem em português e instruções bem claras para o jogador criar seus games, sua música e desenho. Trata-se de um jogo em que as horas voam e o processo de criação é tão excitante quanto joga-lo. Melhor ainda é quando seu conteúdo cai no gosto do público e massageia seu ego.

Exclusivo para PS4, o game tem preço sugerido de R$ 165, valor abaixo dos habituais R$ 200 cobrados por um lançamento. Vale cada centavo.