Há games que rompem a barreira do tempo e se tornam clássicos, como “Pac-Man”, “Super Mario World”, “Final Fantasy VII”, “Resident Evil”, “GTA San Andreas”, “Call of Duty 4: Modern Warfare”, “Halo”, “The Last of US” e muitos outros. No entanto, esses games geralmente têm um momento em alta, mas depois se acomodam numa prateleira honrosa, após um ou dois anos de sua publicação. 

Há títulos, porém, que não deixam a peteca cair, como “Red Dead Redemption 2”, que estreou no fim de 2018 e ainda segue como referência. Mas nada se compara a “The Witcher III: The Wild Hunt”, game de 2015 até hoje apontado como um dos melhores jogos da atual geração e de todos os tempos. E não é para menos: o game obteve mais de 800 premiações em todo o mundo.

Na época de seu lançamento, o game da CD Projekt Red viveu seu momento de exaltação. Reação normal no calor do lançamento. Mas ao invés de o jogo ser ofuscado por novas produções, vem se sustentando na prateleira de cima, no ranking de preferência dos gamers. O interesse pelo game se intensificou ainda mais com o lançamento da série “The Witcher”, no Netflix. Para se ter uma ideia, a diversão ficou entre os dez mais baixados na PSN, para PS4, em dezembro.

O jogo
Em “The Witcher III” o jogador assume o papel de Geralt de Rívia, um bruxo caçador de criaturas, que pertence a um clã. Nesse episódio, Geralt precisa localizar a amada Yennefer e a filha adotiva do casal, Ciri. O game se passa num mundo de fantasia, no momento em que dois reinos se confrontam. As batalhas acabam provocando aparições de criaturas, que o bruxo precisa eliminar. 

Trata-se de um Action RPG clássico, com evolução de personagem, milhares de falas, tarefas secundárias, um inventário complexo e tudo mais que é obrigatório nesse tipo de jogo e que, em tese não difere de demais produções do gênero. Mas “The Witcher III” tem algo a mais. E para descobrir, fomos perguntar aos jogadores.

Pedimos ajuda aos participantes do grupo PS4 Brasil, no Facebook, e perguntamos quais são os atributos que fazem o game ser tão popular até hoje. Foram dezenas de opiniões, a maioria favoráveis ao game, com apontamentos que explicam toda veneração em torno do bruxo de cabelos prateados. Vamos por partes.

Enredo
Um dos pontos fortes apontados pelos jogadores é o enredo do título. A história de um guerreiro medieval com poderes não é algo extraordinário. No entanto, o game se diferencia pelos diálogos que não apenas mostram o que o jogador deve fazer, mas inclui elementos que fazem parte do cotidiano dos personagens, como aponta o gamer Luciano Santana.

“É um game que se desenvolve pelos diálogos. Ele te joga nesse universo de cabeça. Algumas conversas te levam a tomar escolhas sobre ações passadas, o que muitas vezes tem relação com jogos anteriores ou com os livros. Pode ser complicado pra quem não acompanha a franquia, mas também não te limita totalmente a entender o que tá rolando”, comenta Santana.

Ainda segundo ele, muitas vezes o jogador se pega assistindo aos diálogos e se esquece do restante do jogo. “Às vezes, uma missão secundária se tornam muito longa e você fica acompanhando falas e mais falas de NPCs falando de suas vidas e seus problemas”.

Fala o que quer...
Fato é que os diálogos fazem parte da estrutura do jogo. Muitas vezes as perguntas ou respostas do jogador têm consequências irreversíveis que refletem no andamento do jogo. 

Para Luiz Felipe Da Silva Soares, o esmero da ambientação é um dos segredos do game, que cativa o jogador. “É um jogo com uma história rica em cada detalhe possível, cada vilarejo visitado, cada taberneiro que conversamos, cada missão que aceitamos e cada criatura vista é de uma riqueza imensurável. Todas as criaturas do jogo têm uma história surpreendente, desde um cachorro sarnento a um vampiro superior, sempre dá vontade de explorar cada vez mais deste vasto universo. “The Witcher é fantástico!”

Observação que é corroborada por Rodrigo Santos. “Você entra em uma cidade e ela tem seus habitantes fazendo suas tarefas, se divertindo, habitando e se portando de acordo com a área (praça, fazenda ou taverna) que estão. O mundo em si funciona logicamente, por isso é legal passear pelo cenário, pois cada casa, cada vegetação e cada objeto está lá da forma mais natural possível”, analisa. 

Gráficos
Se o game seduz pela imersão, visualmente “The Witcher III” é uma produção caprichada. E mesmo depois de seis anos de sua publicação, ainda impressiona pela qualidade das texturas e efeitos de luzes, sombras, fumaça e água. Claro que não se compara com produções modernas que contam com ajustes para novos recursos como resolução 4K, HDR e outras funções que elevam o realismo. Mas, mesmo assim, ainda é um game belo de se ver.

Na opinião de Colombo Rossi, a preocupação com a ambientação também se reflete nos detalhes gráficos. “É um jogo muito bem feito. Na dublagem é possível ver que até os movimento dos personagens nas falas acompanha a linguagem”, observa

Gameplay
“The Witcher III” é um game que requer atenção na exploração, paciência nos diálogos e agilidade nos combates. Muita gente reclama da mecânica de jogo. Particularmente, acho os comandos um pouco confusos e acelerados. Muita gente critica esse quesito e relata dificuldade no momentos de combates, uma vez que o jogador deve ser intuitivo, mas também ficar atento aos recursos de magia e armas.

Diego Castro reclama dos comandos. “O jogo tem uma proposta bacana de evolução do seu personagem e tudo mais. No entanto, os combates não tem uma mecânica boa, você não se sente no total domínio do seu personagem, com movimentos robotizados”, avalia Castro, que também reclama da demora para o jogo carregar em seu PS4. “Você morre e demora para recomeçar, me fez desistir de jogar novamente”, desabafa.

Na mesma linha, Jean Vinicius Greff, também queixa-se do controle de Geralt. “No quesito RPG ele é um dos mais incríveis tirando a jogabilidade”, observa. Já Douglas Santos acredita que um pouco de paciência e o suficiente para se condicionar ao jogo. “As pessoas reclamam da gameplay. E até dou razão, mas é questão de adaptação”, afirma. 

Vários caminhos
Um dos “feitiços” para laçar o jogador é a imersão que o game oferece. A campanha é extensa com elementos que fazem o jogador se afeiçoar com o personagem e sua história. Além disso, as tomadas de decisões podem mudar os rumos da história e abre um leque para diferentes desfechos, como explica Marcelo Garcia Cáceres. “É um jogo que foi feito com muito capricho, tanto a história, como personagens, missões, mapa e etc. Além disso é um jogo longo com vários finais, várias sub-histórias com desfechos diferentes, e sendo assim ele desperta a curiosidade e faz a gente querer jogar várias vezes.

Rafael Guiott endossa o argumento de Cáceres. “O jogo tem um fator exploração elevado e existem várias possibilidades de finais, de acordo com suas ações que implicam consequências dentro do jogo. Essas consequências testam sua conduta moral, nunca estabelecendo se existe um certo ou errado, mas sim um ‘mau menor’”, analisa o jogador.