Tudo bem que o preço muitas vezes determina a escolha da aliança (algumas chegam a custar milhares de reais), mas quem entende do assunto crava: na hora da compra, é preciso levar em consideração todo o simbolismo que a joia carrega. Em estilos e modelos variados, podem ser de ouro branco, amarelo, de platina, grossas, bem fininhas ou sofisticadas. Importa mesmo é que a peça tenha a cara dos noivos e seja uma representante legítima da história do casal.

Especialista em transformar histórias de afeto em joias personalizadas, como ela mesma se denomina, a designer Ana Tomich reforça a ampla possibilidade de escolha quando o assunto é aliança de casamento. Segundo ela, o único tipo de peça não recomendado são as extremamente finas, simplesmente em função do conforto. 

“O ouro é um metal resistente e vira uma faca, uma navalha, se for fino demais. Além disso, vai ficar machucando a pele, principalmente na parte de baixo do dedo, próximo à palma da mão”, alerta a profissional, que tem um ateliê no bairro Serra, região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Para quem não abre mão daquele modelo mais tradicional, fino e arredondado, a designer de joias recomenda dar uma pequena modernizada na peça, “engordando” a aliança por fora e abaulando-a por dentro. 

“As joias de antigamente tinham no máximo 2 milímetros de espessura. Hoje, para modernizar, chegamos a três, por exemplo, até mesmo para aparecer um pouco mais no dedo”, explica Ana Tomich.

Quanto mais abaulada internamente for a peça, mais confortável ficará no dedo. Alianças muito finas não são indicadas. Design pode ser quadrado e curvado por dentro

Alianças de casamento

INCOMPARÁVEIS
Possibilidades de design variam quanto à cor do ouro, branco, amarelo ou rosé, e acabamento da peça, que pode ser lisa ou feita com texturas diferenciadas

Única

Presidente da joalheria que leva o próprio nome, Manoel Bernardes reforça que a escolha deve refletir a relação do casal. “É importante que tenha design, seja bem executada, com metais e gemas preciosos. Tudo para refletir a unicidade do amor”. 

Nas lojas dele, distribuídas por shoppings de Belo Horizonte, a maior parte das peças vendidas são confeccionadas em ouro amarelo –tipo mais tradicional do metal nobre. Casais mais jovens, entretanto, têm optado por alianças em ouro branco e até platina, material mais raro.

“O ouro branco simboliza uma nova maneira de retratar essa relação mais igualitária e aberta dos casais. Já o rosé traz ecos de uma visão mais vintage”, detalha o empresário. 

Segundo Bernardes, é possível criar, inclusive, modelos diferentes entre si, desde que haja uma sintonia entre o par, ou seja, que uma peça complemente a outra. 

O leque de escolha é tão grande que os preços de cada aliança da grife mineira podem variar entre R$ 877 (tradicional, em ouro amarelo e 3 milímetros de espessura) a R$ 6.618 (com brilhantes cravados nas duas extremidades ao redor de toda a peça). 

Um mimo da Manoel Bernardes para os casais é a cravação de um diamante do lado interno de cada aliança, simbolizando a intimidade do par. “Apenas eles podem ver esse detalhe, que fica oculto para as outras pessoas”, diz o presidente da joalheria mineira. 

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Ouro amarelo divide espaço com outros metais e cores

Mais convencional, o ouro amarelo ainda é o queridinho dos casais tradicionais, mas vem, aos poucos, dividindo espaço com diferentes tipos de criações, incluindo outros metais preciosos e mix de cores. Designer de joias, Ana Tomich destaca ouros branco e rosa na segunda e na terceira colocações, respectivamente, no ranking dos preferidos.

Para Manoel Bernardes, o mais importante é a harmonia entre a relação e a tradução física dela por meio do par de alianças. Joias podem ser diferentes entre si, desde que complementares

“Com a questão do personalizado, as alianças têm saído com duas a três cores, mas sempre com predominância do amarelo e somente um toque de branco, rosa ou até do champagne, que reproduz a cor da bebida. Assim como as cores, acabamentos também ajudam na diferenciação das peças, podendo ser liso, polido, fosco, martelado ou frisado, por exemplo”, diz. 

No ateliê dela, no bairro Serra, os casais são convidados a fazer verdadeira imersão no universo a dois. O objetivo é encontrar características importantes e marcantes da história deles, que possam ser exteriorizadas na joia do casamento. 

“A maioria das pessoas acha que aliança é algo muito simples, não tem muita ideia da quantidade de possibilidades possíveis. Procuro mostrar os trabalhos já feitos para apresentar as diferentes cores, texturas, medidas, larguras, tudo para que tenham noção de como ficará quando colocarem no dedo”, explica a designer. 

Ana conta que já fabricou mais de 500 pares de alianças, cujos preços variam entre R$ 2.800 a até R$ 20 mil – esse último para um modelo totalmente cravejado de brilhantes. Os clientes dela também têm a possibilidade de incluir na joia uma pedrinha preciosa, à escolha do casal conforme o significado que mais tenha a ver com eles, na parte inferior do anel. "Mando os significados das pedras e cada noivo escolhe a que tem mais a ver com o relacionamento. É bem legal, pois personaliza a aliança", diz a profissional.

Mais pedidas

Sócia-proprietária da Argentum Joias, em BH, Carol Rodrigues diz que o modelo mais pedido na loja são os quadrados, curvados por dentro, mais confortáveis. “Mulheres sempre dão um jeito de colocar um brilhante para diferenciar”, acrescenta. 

Maioria dos mais de 500 pares já fabricados pela designer de joias Ana Tomich foi em ouro amarelo. Tradicional, material ainda é o mais lembrado pelos noivos na hora de definir a peça

Além disso:

Reza a lenda que os egípcios foram os primeiros a trocar alianças como “anéis do amor”, 5 mil anos atrás. As peças eram feitas de couro ou tecido e, em formato de círculo, simbolizavam uma união poderosa sem início nem fim e, portanto, vida eterna ao amor. Muito respeitados na cultura egípcia, os anéis eram usados no quarto dedo da mão esquerda, onde fica uma veia que vai até o coração

Veja galeria de imagens com diferentes modelos, tipos de acabamento, ouro e cores: