Alertada pelo padrasto, e depois de ler um monte de livros de outros grandes autores – tipo Raduan Nassar, João Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Manoel de Barros –, Nathália Marçal descobriu em Bartolomeu Campos de Queirós o escritor que tanto queria transpor ao palco. Quase dois anos depois de a atriz ter lido as 78 páginas de “Por Parte de Pai” de um fôlego, na madrugada, a versão teatral do texto confessadamente autobiográfico do autor recém-falecido estreia no Teatro Alterosa e fica em cartaz até sexta-feira (29).

Por incrível coincidência, uma versão teatral do mesmo texto, inclusive com o mesmo título, mas produzida pelo grupo Atrás do Pano, também entra em cartaz na cidade – após dois finais de semana em Nova Lima, onde o grupo é radicado, a montagem chega a Belo Horizonte, onde é ansiosamente aguardada, em vista da qualidade que teria demonstrado.

Primeira experiência profissional de Nathália, radicada em Betim, mas formada como atriz no Rio de Janeiro, o espetáculo em cartaz no Alterosa (confira roteiro) tem luxos de uma equipe de criação carioca: André Paes Leme na direção, iluminação de Renato Machado, direção de movimentos de Márcia Rubin e o auxílio valioso do estilista e pensador Ronaldo Fraga nos figurinos e na cenografia – vide foto abaixo. Os custos de produção e da turnê que leva a montagem também a Betim, Ouro Preto e Rio são cobertos por leis federal e estadual. Previsão de captação em torno de R$ 500 mil.

Mais modesto, o espetáculo no Esquyna é dirigido por Epaminondas Reis (ex-grupo Trama) e dramaturgia de Carlão Rocha. Dizem que é imperdível. Só vendo.