Vencedora dos principais prêmios de Atriz da temporada carioca 2011, Dani Barros chega a Minas, finalmente: integra a grade do 11º FIT/BH com "Estamira – Beira do Mundo", atração do João Ceschiatti até sábado (23). A montagem chega cercada por (rara) unanimidade – o que desmente que seja sempre burra, como dizia Nelson Rodrigues. Não mantém parentescos com a pá de espetáculos precedidos por muita fama, que não demonstram porquês.

Quem for conferir apenas um dos espetáculos do FIT não se frustrará se escolher este. Possivelmente o ponto alto da carreira de uma atriz extraordinária, "Estamira" é mais uma parceria entre Dani e Beatriz Sayad, com quem integrou o núcleo carioca do Doutores da Alegria e dividiu este mergulho admirável num personagem da vida real que o cinema deu voz primeiro.

Para quem ainda não sabe, Estamira é a singular figura retratada no documentário do cineasta e produtor Marcos Prado. Lançado em 2005, ganhou prêmios em vários festivais do Brasil e do exterior e está disponível nas locadoras.

O filme virou uma espécie de obsessão para Dani. Pela veemência e pela surpreendente relevância das falas da catadora do aterro sanitário de Jardim Gramacho, pelas relações que Estamira parece manter com forças da natureza. A peça, porém, não reproduz o filme, busca (e encontra) uma lírica diferente, tocante.

O longa traria o que Dani "já queria dizer", e sua história pessoal reservou uma coincidência. Sua mãe também foi portadora de transtornos mentais, como Estamira. Experimentou o mesmo isolamento afetivo e também padeceu a via-crúcis dos dependentes de tratamento pelo sistema público de saúde – perversa realidade que Dani acompanhou durante os dez anos em que levou alegria aos pacientes de hospital ostentando o nariz vermelho do Doutores.