No início do mês, eles atingiram a impressionante marca de 10 milhões de inscritos no Youtube. Além disso, estão na telinha toda segunda-feira e com um pé nos sets de filmagens para gerar um longa-metragem. E quando se pensa que não há mais por onde expandir territórios, lá está ela, a “gangue” do Porta dos Fundos, a invadir os palcos cênicos.

A estreia nacional nos tablados acontece em solo mineiro, nesta sexta-feira (29) e sábado no palco do Sesiminas. Com o nome “Portátil” – por ser adaptável a qualquer espaço, pois não depende de cenário, ou mesmo de iluminação – o espetáculo é inteiramente improvisado, “mas com início, meio e fim”, deixa claro o roteirista (e integrante) Gregorio Duvivier.

Voluntário

Tudo acontece a partir de um voluntário da plateia. “Vamos contar a história dele”, adianta o filho do músico Edgard Duvivier e da cantora Olivia Byington, que, nesta iniciativa, estará na boa companhia de João Vicente de Castro e Luis Lobianco, seus colegas de Porta dos Fundos, bem como de Marcio Ballas, que entra em campo como uma espécie de reforço neste time. “Ele é meio que um camisa 10 do improviso”, assegura Duvivier. A direção é de Bárbara Duvivier.

O formato ao qual o público belo-horizontino vai assistir em primeira mão, difere do dos esquetes que vão para a web e para a telinha, e foi escolhido pelo “sabor do desafio”. “Temos que improvisar sem perder as características do que vai para a internet. Sustentar isso por uma hora não é fácil”, comenta o carioca, de apenas 29 anos, que deu seus primeiros passos no teatro por insistência do avô, para perder a timidez.

Não que a convivência com o métier não fosse quase que seu habitat natural – ele é também sobrinho de Bianca Byington e enteado de Maria Clara Gueiros. Não é exagero dizer, pois, que Duvivier sempre respirou arte.

Mas foi a arte do improviso que sempre chamou mais a atenção do ator – aliás, ressalte-se, é uma característica que perpassa o rol de nomes admirados por ele – caso dos brasileiros Fernanda Torres e Pedro Cardoso, ou dos norte-americanos Amy Poehler e Steve Carell. “Todos têm formação no improviso, a melhor escola para um ator”, advoga.

Tubo de ensaio

Para o Porta dos Fundos, o espetáculo “Portátil” será uma espécie de “tubo de ensaio” para seus integrantes. “Vai ser bom para sentirmos a reação direta do público, e levar isso à internet. E a plateia vai ver o Porta em ação sem roteiros”, explica Gregorio, referindo-se ao brainstorming in loco. Antes de se aventurar no teatro e no cinema, o Porta dos Fundos já havia lançado as minisséries “Viral” e “Refém”.

“Portátil” – Apresentação neste sábado, 19h e 21h,e no domingo, 18h e 20h. Teatro Sesiminas (rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia. Ingressos a R$ 80 e R$ 40 (valor da meia-entrada, para categorias devidamente identificadas). Vendas: bilheteria e ingresso.com. Classificação etária: 14 anos. Informações: 3889-2003

Duvivier arrebanha fãs em todas as suas facetas

 

Depois de tomar de assalto a web, o porta dos fundos se arrisca no teatro

ADMIRAÇÃO – “Com ele aprendi que somos um poço infinito de histórias. Colocá-las no papel não é tarefa fácil, mas deve ser um exercício diário”, comenta Mariana Cyrne sobre Gregorio Duvivier (Foto: Frederico Haikal/Hoje em Dia)

 

Para estar presente em tantas plataformas é preciso, claro, público – e isso não falta ao Porta do Fundos. O fenômeno possui fãs por todo o Brasil. Basta uma rápida visita à página da trupe no Facebook para ver pessoas de diferentes regiões solicitando “Portátil” em suas cidades.

“Essa é uma forma de levar nosso trabalho para mais pessoas, pois o público da web nem sempre é o mesmo da TV, do cinema e do teatro”, considera Duvivier.

“Humor inteligente”

 

Depois de tomar de assalto a web, o porta dos fundos se arrisca no teatro

SEMPRE LIGADA – Sofia não deixa escapar uma esquete do Porta dos Fundos. Toda semana, religiosamente, ela acompanha os novos vídeos disponibilizados e faz questão de indicar aos amigos ou compartilha-los (Foto: Cristiano Machado/Hoje em Dia)

 

A estudante de psicologia Sofia Machado, 22 anos, paranaense radicada em BH, é uma das seguidoras do canal na internet, além de conferir o desempenho do elenco na TV. Ela só não vai ao teatro porque não conseguiu comprar ingressos – que se esgotaram rapidamente, mesmo para as sessões extras. “Queria ver a reação do público, e como seria essa experiência no teatro”, lamenta a moça, que virou fã do humorístico pelo seu tom crítico. “Eles fazem um humor inteligente. Criticam a sociedade e seus valores de uma forma surpreendente”.

E como em todo grupo, cada fã tem o seu integrante predileto, Sofia não hesita em eleger o seu. “Duvivier, por sua versatilidade. É um ator completo. Vai do teatro ao cinema sem se repetir. Está sempre inovando”, pontua a estudante, que teve o primeiro contato com o trabalho do ator em 2009 quando assistiu ao filme “Apenas o Fim”.

“PUT SOME FAROFA”

O coro de fãs de Duvivier é engrossado por Mariana Cyrne, 28, jornalista que atua na área de mídias sociais. “Ele consegue ser um bom humorista, ótimo ator, excelente poeta, roteirista, cronista...”, enumera.

Mas a faceta que mais lhe agrada no moço é a de escritor. “Tanto que ele foi fator decisivo para eu me inscrever em um curso de processos criativos, que aconteceu aqui em BH”.

Ter Gregorio como professor só aumentou a admiração de Mariana. “Foi uma aula que durou aproximadamente quatro horas, e pudemos questioná-lo sobre rotina, improviso, mercado...”. E claro que ela não perdeu a oportunidade de registrar o momento e ter o seu exemplar do livro “Put Some Farorfa” –- última publicação de Duvivier – autografado.

Elogios

Com esses predicados, parece que o escritor Luis Fernando Verissimo não exagerou ao escrever: “Nem todo bom humorista é um bom cômico, nem todo bom comediante é um bom ator e nem todo bom roteirista é um bom cronista. O Duvivier é tudo isso ao mesmo tempo e vice-versa. É econômico: você paga por um Duvivier e leva seis”. O depoimento, vale dizer, está em “Put Some Farofa”.

 “O bom do humor é puxar o tapete das certezas. É desconstruir o que está consolidado no imaginário do espectador. Sem se apegar a estereótipos, porque o humor também pode ser a perpetuação disso ” Gregorio Duvivier