24 horas ininterruptas de cultura. Artes plásticas, performances, cinema e, claro, teatro. No encerramento do Festival Internacional de Teatro (FIT), o evento inclui uma maratona de atividades que contempla um vasto leque de manifestos artísticos.

A programação da Virada Cultural começa às 12 horas de sábado (23), apropria-se de vários espaços da cidade, e encerra-se domingo (24), no Parque Municipal. Além de apresentações inéditas, o circuito reprisa algumas das atrações que passaram pelo festival.

Do cinema, o público tem a chance de assistir ao documentário "A Cidade é Uma Só?" (2011) – obra inédita em Belo Horizonte que debate exatamente a necessidade de apropriação do espaço público.

Um gancho pertinente para uma capital que começa a se dar conta da necessidade de ir às ruas e aventurar-se em espaços como praças e parques. "A cidade é uma só?’ passa entre Brasília e Ceilândia. Trata sobre a fissura entre as cidades e as ocupações. Um retrato inegável do cinema novo brasileiro", afirma o curador do Cine FIT, Ricardo Alves.

"La Fée" e "Glass Lips"

Outras apostas são no francês "La Fée" (2011) e no polonês "Glass Lips" (2007). Ambos têm o cuidado de levar para à tela movimentos e aspectos da arte de teatro.
 
"Há, ali, a teatralidade no cinema. A leitura clássica e corporal que só o palco sabe tomar para si. No caso de 'Le Fée', em especial, tive o contentamento de assistir em Cannes e, desde então, quis trazê-lo. 'Glass Lips' vale-se das artes plásticas no cinema. É a fronteira da linguagem performática. Um filme que fala por suas imagens – luz, sol e movimentação corporal", comenta Ricardo.

De volta às aspirações do Brasil, o filme "Estamira" (2004) será exibido horas antes da montagem sobre a mesma personagem da vida real, no João Ceschiatti. Falecida ano passado, Estamira era portadora de sofrimento mental e trabalhou mais de 20 anos no Aterro Sanitário do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro – o local foi recentemente desativado.

"Evóe!" é destaque

Outros dois filmes que compõem a grade do Cine FIT são "Makin off –A Fusão do Cinema e da Dança: o Processo" (2012) mostrando o processo de criação cinematográfica, e "Evoé! Retrato de um Antropófago" (2011).

"É um filme que articula de forma labiríntica depoimentos recentes e imagens históricas da carreira de Zé Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina. Mostra não só o representante do teatro brasileiro contemporâneo, como também o homem por trás de tudo isso", conta o curador.

Além da sétima arte, a Virada programa show do Trovão de Minas, performance de "Thrash (Passeio Completo)", inspirado no termo "traje passeio completo", com Guilherme Morais e a estilista Morgana Marla, e a instalação do Graffiti Relacional, que irá construir, durante seis horas, dois grandes painéis de grafites.

Essa mostra terá orientação e suporte dos artistas Warley Bombi, Marcelo Lin e Marília Gabriela Dias. Os trabalhos produzidos dentro da Virada seguirão para o ateliê da trupe, integrando, adiante, uma exposição.

Mais quatro espetáculos de teatro têm estreia

Mais quatro espetáculos estreiam nesta quinta-feira (21) na grade do FIT: "Por Que a Gente Não é Assim? ou Por Que a Gente é Assado?", montagem de rua do grupo Bagaceira, de Fortaleza (CE), inicia na Praça da Savassi, a partir das 11 horas, sequência de seis apresentações com acesso grátis.

Já a produção franco hispânica dirigida por Rodrigo Garcia, "Golgota Pic Nic" (foto de capa), faz quatro apresentações no palco do Teatro Sesiminas, enquanto "Estamira – Beira do Mundo", produção carioca, se apresenta até sábado no Teatro João Ceschiatti; e, finalmente, "Ópera dos Vivos", da Cia do Latão (SP), ocupa a Funarte MG até domingo.

Além deles, outros sete espetáculos também serão vistos nesta quinta no festival. No Ponto de Encontro, programação músico-etílica do FIT, o DJ Cafa Sorridente se apresenta no Municipal, a partir das 19h30.

Depois, se apresenta Marcos Frederico e banda (Felipe Bastos/percussão e bateria, Carlos Walter/violão e Dado Prates/sax e flauta). Bandolinista, Marcos Frederico faz show com músicas dos discos "Sinuca Tropical" e "Onze e novos temas" e releituras de Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth, Patápio Silva e Carlos Gardel. Na sequência, Vitor Santa e João Pires se encontram no show "Coladera", com Pablo Souza/baixo acústico e Matheus Bahiense/bateria.

Fechando a noite, a cantora e compositora carioca Ava Rocha apresenta o show "Diurno". Na banda, Daniel Castanheira (percussão e eletrônicos), Emiliano Sette (violão), Nana Carneiro da Cunha (violoncelo e vocal), e mais Jomar Schrank (teclado) e Rodrigo Sebastian (baixo acústico).