Genial. Moralista. Revolucionário. Herético. Flor de Obsessão. Talvez as conclusões mais pertinentes sobre o impacto da contribuição de Nelson Rodrigues à cultura brasileira já tenham sido mencionadas. É hora, portanto, de retornar à obra teatral, avaliada pelos críticos de várias gerações como o melhor da dramaturgia nacional em todos os tempos.

E é por esta razão que, justo agora, quando o brilhante jornalista, escritor e dramaturgo completaria 100 anos de nascido no Recife, que a Fundação Nacional de Artes/Funarte lhe presta merecida homenagem: promove no Rio de Janeiro um ciclo de exibições das 17 peças que o próprio Nelson escreveu e com elas tornou concreto um rico, denso imaginário.

Previsto para prosseguir até dia 31 de agosto e ocupar os teatros Dulcina e Glauce Rocha, localizados no Centro da capital carioca, o ciclo se inicia na noite desta quarta-feira (1°), com a exibição de "Uma Mulher sem Pecado", no Glauce Rocha. A produção desta que foi a primeira peça escrita por Nelson e marca a estreia da Cia Arlecchino é de Belo Horizonte. Tem a honra de ser a única representante do teatro produzido em Minas Gerais incluída no ciclo.

Kalluh Araújo dirige, ilumina, assina figurinos e cenários da montagem, produzida por Paulo Rezende, protagonista no elenco de oito atores. Além de significar uma mudança de rota muito especial para Paulo Rezende - reconhecido, premiado como admirável comediante, que se dispôs a experimentar o drama, interpretando a obsessão de um marido especialmente ciumento -, a montagem teve notável reconhecimento de público e crítica.

Já obteve quatro indicações do prêmio Sesc/Sated (Melhor Ator, Iluminação, Cenário e Direção), mas não foi vencedor em nenhuma, e seis do prêmios Simparc, saindo vencedor nas categorias Ator/Rezende, iluminação e figurino/Kalluh. Selecionado entre os dez espetáculos locais exibidos na recente edição do FIT/BH, foi convidado a participar do Festival Internacional de Teatro do Recife, agora em setembro vai integrar o festival Cena Contemporânea de Porto Alegre e após as duas sessões no Rio, hoje e amanhã, ainda deve visitar Ipatinga, Poços de Caldas, Itaúna e São João del Rei.

Precioso ao dirigir "Perdoa-me por me Traíres", montagem de lançamento da Cia Luna, Kalluh tornou, digamos, preciosista esta versão de "A Mulher sem Pecados". Há quem goste, evidente. Mas um texto de Nelson não é o bastante. O crítico Rodolfo Lima considerou a montagem de "Os Sete Gatinhos", dirigida por Nelson Baskerville (de "Luis Antônio Gabriela") "um erro gritante, não traz nada de novo, é um arremedo de clichês e ainda apresenta o texto como comedia pastelão".
 
"Os Sete Gatinhos" é uma das quatro montagens paulistas do ciclo, que reúne espetáculos de outros dez estados.

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