“Ela chegou sorrateira como a correnteza e um dia partiu numa onda de silêncio”. O trecho retirado do início do livro “A baleia que carregou o oceano”, Zit Editora, reflete bem a poética história escrita pela carioca Thaís Velloso, de 30 anos, em seu primeiro título infantil. “Na verdade, já escrevo há um tempo dentro dessa área, mas é a primeira vez que faço um livro”, emenda a autora que tem formação em interpretação cênica e Letras e antes de se aventurar pela literatura escreveu e interpretou peças infantis para a Marcatto Produções Artísticas.

Autora é atriz

Entre elas, “O Barbeiro de Ervilha”, peça considerada sucesso de público e crítica e ganhadora, em 2010, do prêmio Zilka Sallabery na categoria Melhor Música.

Thaís mergulhou no fundo do mar para contar a história de um peixinho adolescente que, de repente, se vê encantado por uma baleia azul de olhos verdes. O jovem peixe é protagonista de um enredo marcado por um turbilhão de emoções: frio na barriga misturado a saudade.

História de amor, de amizade ou paixão? Depois de uma pausa e um suspiro: “acho que depende de quem está lendo. Tem gente que já me falou que era mais amizade, tem gente que me falou que era mais amor, tem gente que me falou que era mais paixão. Se eu falar uma coisa, as pessoas que acham que é outra vão ficar chateadas. Eu prefiro perguntar ‘o que você acha que é?’", retruca Thaís.

Inspiração
 
Depois de estudar Literatura Infantil e Contos de Fadas na NYU (New York University), a moça, que durante seis meses morou na big apple, foi motivada a falar “um pouquinho das coisas que às vezes a gente tem medo de dizer”, afirma se referindo ao silêncio da concha que mais parece “toca das moreias” na história.

Contado e recontando em verso e prosa milhares de vezes, o primeiro amor foi capturado de maneira terna e não menos divertida pela autora. O texto de Thaís também aborda hábitos e rotinas dos bichos do fundo do mar em ambientes alegres e sombrios. Essa atmosfera misteriosa é evidenciada nos desenhos de Paulo Thumé. O ilustrador, natural de Porto Alegre, onde o livro deve ser lançado ainda neste semestre, usou lápis aquarelável , nanquim, aquarela e tinta acrílica sobre papel Montval 300g e acabamento digital. “Foi um processo inesquecível pra mim. Estrear com capa dura é sinal que comecei bem”, conclui Thaís.